Conservacionistas no DPKY-FC, Tailândia, utilizam tecnologia para proteger tigres ameaçados

Conservacionistas no DPKY-FC, Tailândia, instalam armadilhas para proteger tigres. Iniciativa busca entender desafios e garantir futuro da espécie ameaçada

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(Imagem de reprodução da internet).

Conservação de Tigres no DPKY-FC, Tailândia

No coração da floresta tropical do DPKY-FC (Complexo Florestal Dong Phayayen-Khao Yai), na Tailândia, uma armadilha com mola foi instalada para capturar um tigre. O retorno do animal para marcar seu território é incerto, podendo ocorrer em uma ou duas semanas, ou até mais.

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Por isso, a armadilha é verificada três vezes ao dia. No entanto, essa armadilha não é obra de caçadores, mas de conservacionistas que buscam proteger a espécie.

“É necessário muito tempo e esforço para capturar um tigre”, afirma Rattapan Pattanarangsan, gerente de programas de conservação da Panthera Tailândia. Com apenas 20 a 30 tigres habitando os 6.000 quilômetros quadrados do DPKY-FC, essa iniciativa é crucial para preservar “os últimos dos últimos” tigres da Indochina, cuja população foi descoberta no início dos anos 2000.

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População de Tigres e Desafios

A Tailândia se destaca como um exemplo raro de recuperação de tigres no Sudeste Asiático, com a maior parte desse sucesso ocorrendo no Complexo Florestal Ocidental, onde as populações de tigres mais que triplicaram entre 2007 e 2023. Em contraste, a população de tigres do DPKY-FC permanece estagnada, apesar do amplo espaço disponível para expansão. “Se a floresta estiver em boas condições, a população deveria aumentar”, diz Pattanarangsan.

Para entender a falta de crescimento da população, os conservacionistas marcaram três tigres com colares no início deste ano. “Com as armadilhas fotográficas, temos dados primários sobre quantos tigres estão presentes”, explica Pattanarangsan. “Mas queremos dados mais profundos sobre a ecologia do tigre, como eles se dispersam e o que comem.”

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Tecnologia e Descobertas

As coleiras, que foram instaladas no início de 2025, estão trazendo novas informações sobre o comportamento dos tigres e ajudando os conservacionistas a garantir seu futuro. Embora a tecnologia de rastreamento GPS já tenha sido utilizada em outras regiões, é uma novidade para o DPKY-FC.

O projeto é liderado pelo Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas da Tailândia, em parceria com a Panthera.

A equipe do DPKY-FC escolheu três tigres para o teste: um macho adulto, Srikosa, e duas irmãs sub-adultas, Chantra e Pianporn. As coleiras leves têm uma vida útil de até dois anos, registrando coordenadas a cada hora e transmitindo via satélite.

Na densa selva, a transmissão pode falhar, mas os dados também são armazenados para download posterior.

Comportamento Alimentar dos Tigres

Os dados coletados permitiram rastrear a área de vida de cada tigre e seus padrões de movimento. Os tigres normalmente caçam presas grandes, mas no DPKY-FC, os três tigres têm se alimentado de mamíferos menores, como porcos selvagens e cervos muntjac. “Esse comportamento é muito estranho e pode refletir a escassez de presas”, afirma Pattanarangsan.

Chantra, uma das tigres, apresenta hábitos alimentares peculiares, incluindo a caça de texugos-porcos e o consumo oportunista de tartarugas de casco mole e varanos. Essas descobertas são as primeiras do tipo registradas para tigres selvagens na Tailândia, segundo Somporn Pakpien, chefe da Estação de Pesquisa de Vida Selvagem DPKY.

Desafios e Futuro da Conservação

A equipe do DPKY-FC também está focada em proteger o habitat dos tigres. Pattanarangsan menciona que algumas áreas do complexo florestal, como o Parque Nacional Khao-Yai, estão vazias de tigres. O complexo planeja realizar uma análise de ameaças para identificar fatores que limitam a população, como a caça ilegal e o impacto de projetos de infraestrutura.

“Se conseguirmos reduzir as ameaças, a população de presas aumentará, assim como a de tigres”, acredita Pattanarangsan. Embora o projeto de rastreamento por GPS esteja em seus estágios iniciais, ele está otimista de que as informações obtidas ajudarão a aumentar o número de tigres no DPKY-FC.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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