Congresso considera PL dos minerais críticos “destravado” e votação prevista até setembro

A votação do marco dos minerais críticos no Senado pode ocorrer até o final de setembro, impulsionada por articulações entre Lula e Davi Alcolumbre.

Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva receives the New President of the Senate, Senator Davi Alcolumbre, and Federal Deputy Hugo Motta, New President of the Chamber of Deputies, at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on February 3, 2025. (Photo by Ton Molina/NurPhoto via Getty Images)

Congressistas que estão à frente das negociações do marco dos minerais críticos acreditam que a proposta está “destravada” no Senado e esperam uma votação até o final de setembro. A expectativa, conforme informações obtidas pela CNN, é que o texto avance durante a próxima semana, marcada por um esforço concentrado do Congresso no início de setembro.

A articulação para essa votação ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União – AP), que se reuniram na quarta – feira (12). O encontro faz parte de um esforço maior para alinhar a pauta de votações do Congresso antes das eleições.

Propostas em discussão

Apesar da avaliação positiva sobre as condições políticas para o avanço do marco, ainda não há uma definição sobre qual texto será votado. Atualmente, existem duas propostas no Senado: a primeira é o PL 2.780/2024, já aprovado pela Câmara e relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania – SP.

A segunda proposta é o PL 4.443/2025, apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB – AL) e relatada pelo senador Wilder Morais (PL – GO) na Comissão de Infraestrutura.

Nos bastidores, a tendência é apensar o projeto relatado por Wilder ao texto que veio da Câmara, utilizando ambas as propostas para criar uma redação única. No entanto, essa decisão ainda depende de Davi Alcolumbre e de um acordo entre os senadores envolvidos nas negociações.

Os parlamentares envolvidos destacam que o texto aprovado pela Câmara tem uma base considerada mais madura. Isso se deve aos meses de discussões com o governo, especialistas do setor mineral e diferentes bancadas do Congresso. Além disso, interlocutores ressaltam que o relatório apresentado por Wilder já incorpora grande parte das soluções elaboradas por Jardim, reduzindo as divergências e facilitando uma eventual unificação dos textos.

Avanços na Política Nacional de Minerais Críticos

Outro sinal positivo sobre o avanço do marco ocorreu esta semana na Câmara dos Deputados. O novo relatório do PLP 114/2026, conhecido como PLP dos Combustíveis, agora inclui dispositivos relacionados aos incentivos previstos para a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

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A relatora Marussa Boldrin (Republicanos – GO) apresentou o texto, que já está pronto para análise no plenário.

O principal objetivo é assegurar a adequação fiscal necessária para que os benefícios previstos possam entrar em vigor assim que forem aprovados pelo Senado. O texto relatado por Jardim prevê até R 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034, limitados a R 1 bilhão por ano.

Esses recursos visam estimular projetos voltados ao beneficiamento e transformação dos minerais dentro do Brasil.

Na terça – feira (11), Hugo Motta (Republicanos – PB), presidente da Câmara, afirmou que a ideia era utilizar o PLP para garantir a sustentação fiscal desses incentivos antes da conclusão da votação do marco no Senado. Inicialmente prevista para terça – feira, a votação do PLP foi cancelada, mas está pronta para deliberação nesta quarta – feira.

Construção de um texto unificado

A inclusão dos minerais críticos no PLP representa um passo importante ao remover possíveis obstáculos futuros relacionados à compatibilidade dos novos benefícios fiscais com as regras de responsabilidade fiscal. Com isso encaminhado, as negociações no Senado devem se concentrar na construção do texto político e regulatório que vai unificar as propostas de Wilder e Jardim.

A urgência em aprovar esse marco se intensifica diante da corrida internacional por minerais essenciais em setores como defesa e tecnologias avançadas. O texto aprovado pela Câmara estabelece uma política nacional para o setor mineral, cria mecanismos de financiamento e prevê instrumentos para aumentar a parcela do beneficiamento desses recursos realizada no Brasil.