
Atualmente, a cidade de São Paulo abriga cerca de doze milhões de habitantes. Em 1936, ano de inauguração do Aeroporto de Congonhas, a população da capital paulista havia recentemente ultrapassado a marca de um milhão. Localizado na região sul da cidade, o aeroporto celebra seus 90 anos neste domingo (12).
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A arquitetura do terminal é obra de Hernani do Val Penteado e Raymon Alberto Jehlen.
Hoje, Congonhas movimenta quase 25 milhões de passageiros anualmente, o que equivale a mais de 65 mil pessoas por dia. O aeroporto opera com 540 voos diários, conectando 45 destinos. Ao longo das décadas, muitos acompanharam a evolução do aeroporto, incluindo Ruy Flemming Filho, que nutre um carinho especial pelo local.
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Quando criança, o agora Comandante Flemming morava nas proximidades e observava os aviões com seu pai.
Anos depois, Flemming se tornou piloto e trabalhou no aeroporto por mais de 30 anos, uma paixão que começou na infância. “Minha história com Congonhas começa bem antes de eu me tornar aviador. Meu pai me levava para ver as máquinas e sentir o cheiro do querosene.
Eu tenho uma paixão pelo aeroporto. Todo passageiro é eventual, o piloto é constante; minha casa era o Aeroporto de Congonhas”, compartilha o Comandante Flemming em entrevista.
Congonhas, conhecido por sua localização no coração da principal cidade do país, apresenta desafios únicos para os pilotos. “É um aeroporto diferente, situado em um centro urbano, com muitos obstáculos. A pista foi projetada nos anos 30, não para os aviões pesados de hoje.
Além disso, São Paulo está acima do nível do mar, o que torna a operação diferenciada”, explica Rafael Santos, piloto de Boeing 777.
Por muito tempo, Congonhas foi o centro da aviação em São Paulo, onde muitos pilotos se reuniam para conversar sobre trabalho e aviação. “Eu vou cinco anos na ponte aérea, e minha maior memória é o cafezinho de Congonhas. Todos se encontravam, muitos pilotos trocando informações, reencontrando amigos e contando histórias.
Essa é a memória que guardo no coração”, brinca o piloto.
O complexo é administrado pela empresa espanhola Aena, que investe mais de R$ 2 bilhões na modernização de Congonhas, incluindo a construção de um novo terminal de passageiros até 2028. A LATAM opera no aeroporto desde 1975, totalizando 51 anos de presença contínua, transportando mais de 195 milhões de passageiros nesse período.
Dois acidentes marcaram a história do aeroporto: em 1996, um Fokker 100 caiu em uma via pública próxima ao local, e em 2007, o voo da TAM resultou na morte de 199 pessoas, quando um Airbus 320 não conseguiu parar na pista durante o pouso. Apesar desses eventos, especialistas afirmam que Congonhas chega aos 90 anos com um bom nível de segurança. “Congonhas é considerado um aeroporto de operações especiais, com regulamentos específicos.
A pista não é tão curta quanto parece, mas a altura da cidade e os obstáculos tornam a operação mais crítica. Contudo, há um preparo adequado para os pilotos”, analisa Coronel Rufino Ferreira, ex-investigador do Cenipa.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.
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