Conflito no Oriente Médio gera incertezas econômicas! Analistas alertam sobre riscos no mercado e aumento dos preços do petróleo. O que vem a seguir?
A guerra no Oriente Médio já se estende por uma semana, mas poucos analistas se arriscam a fazer previsões. A razão para essa cautela é clara: o ambiente atual é marcado por uma forte aversão ao risco. O índice da CNN Internacional fechou em 27 pontos na última sexta-feira (6), um nível que reflete o medo dos investidores.
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Os analistas da Warren Investimentos, na quinta edição da “Carta dos Especialistas”, afirmam que “o conflito no Oriente Médio e o aumento dos preços do petróleo trazem novos riscos para o cenário ao longo do ano, além das incertezas no setor energético”.
O Daycoval, em um relatório de março, destaca que a intervenção dos EUA e de Israel no Irã intensifica as preocupações sobre as tensões geopolíticas.
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Essa análise é comum em diversos relatórios e comentários feitos ao longo da semana. Aqueles que se aprofundam nos riscos apontam que “o impacto nos mercados dependerá da evolução do conflito”, conforme mencionado pelo UBS, que considera a duração e a intensidade da escalada.
A maioria dos analistas prefere manter seus cenários-base e aguardar o desenrolar da situação antes de fazer alterações em suas previsões.
Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, levanta uma questão importante: “quando o ruído se transforma em uma crise de fundamentos?”. Ela explica que choques geopolíticos de curta duração tendem a aumentar a incerteza e a volatilidade nos ativos de risco, mas quando a tensão se prolonga, pode haver disrupções nas cadeias de suprimentos e aumento nos preços das commodities.
Os analistas ressaltam que a duração e a intensidade do conflito são cruciais. “O repasse de conflitos geopolíticos para a economia não é automático nem linear. Depende da combinação entre duração, intensidade e a relevância da região afetada”, afirma Kawauti.
Acompanhamento atento desses fatores é essencial para diferenciar eventos que geram apenas volatilidade temporária daqueles que podem alterar o ciclo econômico.
A XP, em seu relatório macroeconômico mensal, aponta que o conflito pode impactar a economia brasileira, especialmente devido à importância dos preços do petróleo para as exportações e a inflação. A “Carta dos Especialistas” da Warren destaca que, além da reação global esperada, há preocupações com a produção e exportação de petróleo.
Embora a XP mantenha a previsão de que o barril do petróleo Brent se estabilize em US$ 60 ao final do ano, ela também projeta cenários alternativos. Com o Brent a US$ 70, a expectativa de inflação no Brasil poderia subir de 3,8% para 4,2%. Se o preço do barril atingir US$ 80, a inflação poderia chegar a 4,5%.
Os analistas da Warren ressaltam que o conflito aumenta as pressões inflacionárias, afetando os preços do petróleo e o equilíbrio das moedas. Por outro lado, um aumento nos preços do petróleo também poderia beneficiar o Brasil, expandindo a balança comercial e melhorando o resultado primário da União.
Os analistas do UBS observam que, mesmo que a infraestrutura petrolífera não tenha sido diretamente atacada, a interrupção no fornecimento de petróleo está aumentando. O Goldman Sachs elevou suas previsões para o preço médio do petróleo Brent no segundo trimestre de 2026, considerando a possibilidade de uma redução significativa na produção de petróleo bruto do Oriente Médio.
A Moody’s, por sua vez, acredita que, no curto prazo, a existência de petróleo armazenado fora do Golfo pode ajudar a evitar perdas significativas nas exportações. A agência projeta que o conflito não deve durar muito, mas qualquer interrupção prolongada no Estreito de Ormuz poderia levar a um aumento sustentado dos preços do petróleo e a uma maior aversão ao risco global.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.