Conflito entre Trump e Líderes Europeus Afeta Mercados
O embate entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes europeus a respeito da Groenlândia fez com que investidores vendessem ativos americanos no início da semana. No entanto, a instabilidade nos mercados diminuiu na quarta-feira (21), quando Trump adotou um tom mais conciliador, afirmando que não imporá tarifas sobre as importações de alguns países europeus.
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As ações se recuperaram pela manhã após Trump declarar que não usaria “força excessiva” para adquirir a Groenlândia, embora tenha reafirmado seu interesse em comprar o território dinamarquês. À tarde, as ações ampliaram os ganhos após o presidente anunciar uma reunião produtiva com Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e a decisão de não impor tarifas previstas para 1º de fevereiro.
Desempenho do Mercado
As ações fecharam o dia com ganhos significativos, recuperando parte das perdas após o pior desempenho desde outubro na terça-feira (20). O Dow Jones teve alta de 1,21%, atingindo 49.076 pontos. O índice Nasdaq subiu 1,18%, encerrando o dia em 23.224 pontos, enquanto o S&P 500 ganhou 1,17%, alcançando 6.876 pontos, o melhor desempenho desde o final de novembro.
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Trump mencionou em sua conta na Truth Social que, após a reunião com Rutte, foi definida uma “estrutura” para um futuro acordo sobre a Groenlândia e a região do Ártico. Essa declaração foi recebida com alívio imediato pelos mercados, que reagiram positivamente à mudança de tom do presidente.
Reação do Mercado e Expectativas
Antes da mudança de tom de Trump, o Parlamento Europeu havia decidido suspender os trabalhos em protesto contra as exigências do presidente sobre a Groenlândia e as ameaças de tarifas. A volatilidade aumentou antes que Trump adotasse uma postura mais amena, levando investidores a venderem ativos americanos.
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Embora alguns analistas acreditassem que o conflito com a Europa não causaria um impacto significativo nos mercados, a reação negativa poderia ser um fator de reconsideração para Trump. Neil Wilson, estrategista da Saxo Markets, destacou que o mercado de títulos dos EUA é um dos poucos fatores que podem influenciar as decisões do presidente.
Impacto dos Títulos e Expectativas Futuras
Os rendimentos dos títulos do Tesouro atingiram níveis altos na terça-feira (20), mas permaneceram controlados. A alta nos rendimentos dos títulos do governo japonês também afetou os títulos do Tesouro americano, aumentando a volatilidade do mercado.
A turbulência nos títulos, que afeta os custos de empréstimo na economia dos EUA, levou Trump a recuar em suas ameaças.
Na quarta-feira (21), as ações subiram, o dólar se valorizou levemente e os títulos do Tesouro se valorizaram. A reação do mercado foi mais contida em comparação a abril, pois os investidores estão mais cientes do impacto das tarifas e céticos quanto à possibilidade de Trump realmente tentar anexar a Groenlândia.
Possíveis Cenários e Riscos
Os países europeus possuem cerca de US$ 8 trilhões em ações e títulos do Tesouro americano, e uma venda massiva desses ativos poderia elevar os custos de empréstimo. No entanto, isso exigiria coordenação significativa e poderia aumentar a volatilidade nos mercados globais.
Arun Sai, estrategista sênior da Pictet Asset Management, comentou que, embora existam cenários de risco extremo, como uma ação agressiva dos EUA em relação à Groenlândia, esse não é o cenário mais provável. Ele acredita que, desde que a situação não se agrave, a reação do mercado será moderada e a volatilidade será de curta duração.
