Conflito e Ebola: Profissionais de saúde enfrentam ataques na República Democrática do Congo

Profissionais de saúde na República Democrática do Congo enfrentam ataques e escassez no combate ao Ebola. Descubra os desafios dessa luta desesperada!

Conflito e Ebola na República Democrática do Congo

Os profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao Ebola na República Democrática do Congo enfrentam não apenas a escassez de suprimentos essenciais, mas também ataques às instalações de saúde e a fuga de pacientes, à medida que o vírus se espalha rapidamente.

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Na província de Ituri, no nordeste do país, onde foram registrados os primeiros casos de Ebola, ocorreram pelo menos três incidentes desse tipo, incluindo dois no último fim de semana que visaram o mesmo hospital, resultando na fuga de mais de vinte pacientes.

Esses ataques lembram a violência generalizada contra as instalações de saúde durante um surto que ocorreu entre 2018 e 2020 no leste da RD Congo, que resultou na morte de mais de 25 profissionais de saúde. Muitos dos ataques foram realizados por civis que estavam revoltados por não poderem enterrar seus entes queridos ou que acreditavam que o surto era uma farsa.

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A movimentação de recursos e mão de obra em uma área que se sentia negligenciada durante décadas de conflito e crise humanitária alimentou desconfianças locais sobre os reais motivos do aumento de interesse na situação.

Reações e Desafios no Combate ao Surto

O doutor Richard Lokodu, diretor médico do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, que foi atacado no sábado (23) e novamente no domingo (24), comentou sobre a negação da doença entre a população. Ele destacou que alguns moradores desejavam reivindicar os corpos de casos suspeitos ou confirmados.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto da rara cepa Bundibugyo do vírus Ebola, o terceiro maior já registrado, como uma questão de interesse internacional.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que até o momento houve mais de 900 casos suspeitos, incluindo 101 confirmados. Ele também mencionou que 220 mortes suspeitas foram registradas e que o atraso na detecção dos casos significa que as equipes de resposta estão “correndo atrás do prejuízo”.

Incidentes no Hospital Geral de Mongbwalu

No Hospital Geral de Mongbwalu, onde muitos casos foram relatados, 18 pacientes com Ebola conseguiram fugir no sábado (23) após um ataque de “indivíduos não identificados”. Quatro resultados de exames laboratoriais desses pacientes foram divulgados: três negativos e um positivo, conforme relatou o doutor Lokodu.

Ele enfatizou que um caso confirmado de Ebola continua circulando na comunidade, escapando das medidas de resposta.

No domingo (24), o hospital sofreu quatro ondas de ataques por parte de jovens mobilizados por parentes de um líder religioso que faleceu devido ao Ebola. O médico informou que outros sete pacientes fugiram e que a polícia e os soldados congoleses tiveram que intervir para restabelecer a ordem.

Durante um dos ataques, um paciente em estado crítico com hemorragia morreu ao tentar escapar da cama.

Histórico de Ataques e Contexto Atual

Os autores dos ataques exigiam a liberação dos corpos das vítimas do Ebola para sepultamento. É importante ressaltar que os corpos das vítimas são altamente infecciosos após a morte, e enterros inseguros, onde os familiares tocam o corpo sem o equipamento de proteção adequado, são um dos principais fatores de transmissão do vírus.

O surto atual é considerado uma continuação de um longo histórico de ataques a centros de tratamento de Ebola, que se intensificaram durante o surto de 2018 a 2020 no leste do Congo.

Acredita-se que o surto atual tenha se originado em Ituri, antes de se espalhar para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, incluindo áreas sob controle dos rebeldes do M23, apoiados por Ruanda, e até mesmo para o país vizinho, Uganda. Até esta segunda-feira, foram confirmados sete casos de Ebola no país.