Cometa 3I/ATLAS, com até 12 bilhões de anos, é o objeto mais antigo do sistema solar

A descoberta do cometa 3I/ATLAS, com até 12 bilhões de anos, oferece novas perspectivas sobre a formação do sistema solar e as condições do universo primitivo

22/06/2026 19:21

4 min

Uma ilustração artística mostra o satélite 3I/ATLAS passando perto do Sol, com gás metanol em azul e cianeto de hidrogênio em laranja
Uma ilustração artística mostra o satélite 3I/ATLAS passando per...

Pesquisadores que analisam o cometa 3I/ATLAS revelaram que este corpo celeste é extremamente antigo, tendo se formado entre 10 e 12 bilhões de anos atrás em um sistema planetário primitivo. A pesquisa sobre a composição química do 3I/ATLAS, que é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado no sistema solar, forneceu insights valiosos sobre as condições físicas e químicas do ambiente onde ele se originou.

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O estudo foi liderado por Martin Cordiner, cientista planetário e astroquímico do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, e foi publicado na revista Nature.

Características do Cometa 3I/ATLAS

O cometa possui um diâmetro aproximado de 2,6 km (1,6 milhas) e é considerado o objeto mais antigo conhecido a transitar pelo sistema solar. De acordo com Cordiner, o 3I/ATLAS parece ter se formado em um ambiente significativamente mais frio—cerca de -243 graus Celsius (-405 graus Fahrenheit)—em comparação ao calor do ambiente onde a Terra e outros corpos do sistema solar surgiram há aproximadamente 4,5 bilhões de anos.

Os pesquisadores acreditam que o cometa percorreu uma longa jornada desde sua expulsão de seu sistema planetário original.

“Nunca encontramos um objeto como o 3I/ATLAS antes”, afirmou Cordiner. Para analisar a composição do cometa, os cientistas utilizaram o Telescópio Espacial James Webb para mensurar a proporção de isótopos presentes—variações dos elementos químicos como hidrogênio e carbono.

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As medições dos isótopos de hidrogênio trouxeram evidências sobre as temperaturas e radiações do ambiente onde o cometa se formou.

Composição Química e Implicações

A água encontrada no cometa contém cerca de 30 vezes mais deutério—um isótopo do hidrogênio—se comparada a outros cometas do sistema solar. Além disso, as proporções dos isótopos de carbono diferem das observadas em objetos dentro do sistema solar e nas nuvens interestelares que cercam estrelas jovens próximas.

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Cordiner sugere que o 3I/ATLAS é provavelmente um remanescente da formação planetária ao redor de outra estrela.

“Nossas observações mostram que o ambiente no qual o 3I/ATLAS se formou era distinto do nosso próprio sistema solar. Ele era mais frio, menos rico em metais e intensamente irradiado por raios ultravioleta e cósmicos”, explicou Cordiner. Curiosamente, apesar da origem distante e fria, o cometa é rico em moléculas orgânicas essenciais à vida, incluindo carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre.

A composição rica em carbono sugere que o 3I/ATLAS se formou durante um período intenso de formação estelar há cerca de 12 bilhões de anos. Considerando que o universo começou a existir com o Big Bang há aproximadamente 13,8 bilhões de anos, isso implica que o cometa data de uma época em que o cosmos tinha apenas cerca de 13% da sua idade atual.

Origem e Trajetória do Cometa

Os cientistas acreditam que o 3I/ATLAS teve origem na Via Láctea; no entanto, devido à sua idade avançada, não se pode descartar a possibilidade de que tenha vindo de outra galáxia. “Eu imaginava que as distâncias intergalácticas eram muito extensas, mas percebi que um objeto interestelar rápido pode levar apenas cerca de um bilhão de anos para chegar aqui vindo das Nuvens de Magalhães”, comentou Cordiner.

O cometa pode ter sido expelido de seu sistema original por interações gravitacionais com outros planetas ou até mesmo por uma colisão. Os dois outros objetos interestelares previamente detectados foram os cometas 1I/’Oumuamua em 2017 e 2I/Borisov em 2019.

Atualmente, o 3I/ATLAS está se aproximando da órbita de Saturno e deve ultrapassar a órbita do planeta anão Plutão em 2029, prevendo-se sua saída da fronteira externa do sistema solar por volta de 2035.

Apesar das especulações sobre uma possível natureza artificial do corpo celeste levantadas no ano passado, os cientistas mantêm confiança na caracterização natural do objeto. “Embora cientistas competentes estejam sempre dispostos a revisar suas conclusões diante de novas evidências, temos sido cautelosos ao avaliar cada hipótese”, concluiu Cordiner. “Desde o início ficou claro que estávamos observando um objeto semelhante a um cometa”.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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