Colômbia e Venezuela selam acordo inédito para enfrentar crime na fronteira em reunião histórica

Colômbia e Venezuela firmam acordo para combater crime na fronteira
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e a líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, estabeleceram um conjunto de medidas para o compartilhamento de informações com o objetivo de combater o crime na fronteira entre os dois países. A reunião ocorreu nesta sexta-feira (24), em Caracas.
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Durante o encontro, também foram discutidos o aumento do comércio bilateral e esforços para garantir o fornecimento de energia elétrica ao oeste da Venezuela, uma região que enfrenta frequentes apagões.
Ambos os líderes estão sob pressão do presidente dos EUA, Donald Trump. Enquanto Rodríguez é instada a abrir a economia venezuelana, Petro enfrenta cobranças para intensificar o combate ao narcotráfico. Este foi o segundo encontro de Rodríguez com um chefe de Estado, após uma breve visita a Granada no início do mês. “Não faz sentido para a Colômbia ou a Venezuela buscar em outras latitudes o que podemos obter em nossos próprios territórios”, declarou Rodríguez em um pronunciamento conjunto com Petro.
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Interconexão elétrica e laços históricos
Rodríguez destacou que os dois governos aumentarão o comércio bilateral e buscarão a interconexão elétrica, que representa um avanço significativo. “A interconexão de gás também é uma prioridade, permitindo não apenas o fornecimento de gás para a Colômbia, mas também a exportação conjunta para outros países”, acrescentou.
A Colômbia e a Venezuela compartilham laços históricos e culturais profundos, especialmente ao longo de sua fronteira de 2.200 quilômetros, onde muitas famílias são binacionais. Nos últimos anos, quase três milhões de imigrantes venezuelanos se estabeleceram na Colômbia, fugindo da crise econômica em seu país.
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Apesar de a região fronteiriça ser um centro de comércio anual superior a US$ 1 bilhão, também enfrenta problemas como tráfico de drogas e contrabando, com a atuação de grupos armados, incluindo gangues criminosas e organizações guerrilheiras colombianas.
Combate ao crime e atração de investidores
Grupos de direitos humanos e governos colombianos anteriores alegaram que os grupos armados operam com o apoio dos militares venezuelanos, uma acusação que Caracas nega. Petro e o antecessor de Rodríguez, Nicolás Maduro, já haviam aumentado o número de tropas na fronteira.
Rodríguez afirmou que os dois países estão adotando uma abordagem “muito séria e abrangente” para combater o crime na região, estabelecendo mecanismos para compartilhar informações e desenvolver inteligência contra o tráfico de drogas e combustíveis.
Petro enfatizou que a fronteira deve pertencer aos cidadãos dos dois países, e não a grupos criminosos. Rodríguez tem buscado atrair investidores para os setores de petróleo e mineração, sob a supervisão do governo Trump. Ela tem solicitado a suspensão das sanções dos EUA, argumentando que as licenças especiais não são suficientes para garantir a segurança dos investidores ou a recuperação econômica.
Apesar das divergências com Trump, que exige mais cooperação da Colômbia no combate ao narcotráfico, Petro destacou que houve apreensões recordes de drogas durante seu governo. Ambos os líderes mostraram otimismo após um encontro presencial no início do ano, e em março, tiveram uma conversa amigável por telefone para discutir a economia na fronteira entre os dois países.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



