Colégio São Domingos suspende alunos por mensagens misóginas em grupo de WhatsApp. O caso levanta questões urgentes sobre a misoginia entre jovens
O Colégio São Domingos, situado em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, decidiu suspender cinco alunos do 9º ano, com idades entre 14 e 15 anos, após a descoberta de mensagens de teor misógino e apologia a crimes sexuais em um grupo de WhatsApp.
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Três estudantes foram penalizados por criarem uma lista que classificava colegas como “estupráveis”, enquanto outros dois foram punidos por compartilharem figurinhas de Jeffrey Epstein, um financista americano condenado por tráfico e exploração sexual de menores.
O incidente veio à tona na última semana, quando as alunas se depararam com o conteúdo e confrontaram os responsáveis no grupo da turma, reportando a situação à coordenação da escola. O episódio suscita um debate urgente sobre a crescente violência simbólica e a responsabilidade compartilhada entre famílias e instituições de ensino.
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Esse caso não é isolado, mas representa um fenômeno que especialistas observam com preocupação: o aumento da misoginia entre os jovens. A psicopedagoga, arteterapeuta e escritora Paula Furtado afirma que esse comportamento não surge do nada. Ela destaca que a violência simbólica e verbal ganhou visibilidade e uma perigosa legitimação em ambientes digitais, refletindo modelos culturais e discursos sociais polarizados que os adolescentes consomem precocemente.
“A misoginia entre crianças e adolescentes não surge isoladamente: ela reflete modelos culturais, discursos sociais polarizados, consumo precoce de conteúdos inadequados e dificuldades no desenvolvimento da empatia”, explica Paula. A especialista também aponta que o excesso de estímulos digitais e a falta de mediação adulta têm causado um “empobrecimento das habilidades socioemocionais”, fazendo da escola um palco onde esses conflitos internos e sociais se manifestam de forma crua.
Recentemente, duas instituições de ensino tradicionais do Brasil – o Colégio Pedro II e o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) – foram associadas a crimes de violência de gênero. Em ambos os casos, a administração reafirmou seu compromisso pedagógico com uma formação que priorize valores como equidade de gênero e repúdio à misoginia.
Paula Furtado defende que as instituições devem agir com rapidez e clareza, priorizando a escuta qualificada das vítimas.
No entanto, a punição, como a suspensão aplicada pelo colégio, não deve ser o fim do processo. “É essencial transformar o episódio em uma oportunidade educativa, promovendo reflexão coletiva e ações preventivas permanentes. A cultura escolar precisa ser de proteção, pertencimento e diálogo, não apenas de punição”, afirma a psicopedagoga.
Ela sugere a implementação de programas de práticas restaurativas e projetos interdisciplinares que abordem o respeito e a diversidade desde cedo.
A responsabilidade pelo combate a esse tipo de comportamento é compartilhada. Enquanto a escola atua na formação de cidadãos críticos e na criação de protocolos de convivência, cabe às famílias modelar comportamentos e supervisionar o conteúdo consumido pelos filhos no ambiente digital.
Para a especialista, a eficácia da educação para o respeito depende da coerência entre o discurso familiar e o institucional.
“Trabalhar valores desde cedo, por meio de experiências vivenciais, ajuda a criança a reconhecer emoções, desenvolver empatia e compreender limites nas relações. A prevenção é sempre mais eficaz quando acontece de forma contínua e integrada ao currículo”, conclui Paula Furtado.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.