Cogna encerra segundo trimestre de 2026 com lucro de R 210,2 milhões e foca na redução da dívida

A Cogna encerrou o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido ajustado de R 210,2 milhões, representando um crescimento de 18% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também reportou uma receita consolidada em alta, com destaque para a operação de educação básica, que teve um desempenho notável.
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Em entrevista ao CNN Money, Roberto Valério, CEO da Cogna, ressaltou que a análise do desempenho da companhia deve considerar uma perspectiva semestral devido à sazonalidade peculiar do setor educacional. “Na educação, os trimestres são muito marcados pela sazonalidade.
A melhor maneira de olhar é sempre o semestre, porque aí tem a sazonalidade completa”, explicou.
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Crescimento na Educação Básica
A área de educação básica foi o grande destaque da companhia, com um aumento de 50% na receita apenas no trimestre e impressionantes 63% no semestre. Segundo Valério, esse resultado positivo se deve tanto ao modelo B2B quanto à venda de livros e serviços para governos, incluindo o governo federal através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e secretarias estaduais e municipais.
No segmento de ensino superior, a receita apresentou um crescimento mais modesto de 8,5%, enquanto o Ebitda subiu 6,5% no semestre. Esse desempenho foi afetado pela sazonalidade do setor e por uma transição regulatória que tem levado alunos da educação a distância para modelos semipresenciais e presenciais.
A geração de caixa livre da Cogna cresceu 87,8% no segundo trimestre, totalizando cerca de R252 milhões. No acumulado do ano, já ultrapassa R 504 milhões, superando os R 716 milhões registrados em todo o ano anterior. Valério atribuiu esse avanço à melhoria na gestão das contas a receber e ao fluxo de pagamentos relacionados a contratos com escolas e governos, assim como à redução gradual da dívida líquida.
Foco na Redução da Dívida
A dívida líquida da Cogna caiu para R 2,775 bilhões, resultando em uma alavancagem de 1,1 vez — bem abaixo dos índices superiores a três vezes vistos em 2020. O CEO afirmou que continuar reduzindo essa dívida é uma das principais prioridades da empresa diante do cenário atual de juros elevados. “Com juros tão altos e a despesa financeira que a gente tem, entendemos que ainda é importante continuar reduzindo”, declarou.
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O planejamento financeiro da companhia é dividido em três frentes: quitação da dívida, retorno aos acionistas e aquisições estratégicas. Neste ano, foram distribuídos aproximadamente R150 milhões em dividendos e realizada a compra de 90% do Eduque Bank, uma fintech voltada a produtos financeiros para escolas por menos de R 50 milhões.
Valério também se mostrou consciente dos desafios trazidos pelo aumento da inadimplência no Brasil. Apesar disso, ele destacou que a Cogna conseguiu manter este indicador sob controle. No segundo trimestre deste ano, houve uma melhora de 0,6 ponto percentual na Provisão para Devedores Duvidosos (PDD). “A gente já tem processos muito azeitados para ajudá – lo no momento em que ele às vezes atrasa um dia”, comentou.
Desafios Futuros
Apesar das melhorias recentes nos indicadores financeiros da Cogna, Valério prevê um segundo semestre desafiador devido ao aumento do endividamento das famílias e à desaceleração econômica. Em relação aos programas governamentais de financiamento estudantil, aproximadamente 120 mil alunos se beneficiam do Pro Uni — cerca de 10% da base total de estudantes da instituição.
O FIES representa uma parcela menor desse total com apenas entre seis mil e sete mil alunos.
O CEO apontou que o FIES está concentrado principalmente nos cursos de medicina e enfatizou que “o programa precisa se tornar um pouco mais atrativo para que volte a ter uma demanda grande”. As expectativas sobre esses programas refletem as dificuldades atuais enfrentadas pelos estudantes na busca por financiamento educacional adequado.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



