Clubes brasileiros fazem manifesto contra proibição de bets e temem ‘fim do futebol

Clubes brasileiros temem colapso financeiro e alertam para risco de mercado clandestino com possível proibição das bets.

18/09/2026 17:35

3 min

Arte publicada pelos clubes em manifesto contra a proibição das bets no Brasil
Arte publicada pelos clubes em manifesto contra a proibição das ...

Clubes, federações e entidades de administração do esporte no Brasil estão em alerta. A discussão sobre o mercado de apostas no país, que já movimenta bilhões de reais, acendeu um sinal vermelho no futebol. O temor é que uma mudança brusca nas regras da regulamentação, aprovada pelo Congresso Nacional, comprometa a principal fonte de receita de muitas agremiações e leve dezenas de clubes à insolvência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O posicionamento é claro: o Brasil escolheu enfrentar os desafios das apostas por meio da regulamentação, e não da proibição. As regras estabelecidas criaram um ambiente com fiscalização, cobrança de impostos e obrigações como bloqueio de menores e combate à lavagem de dinheiro.

Agora, segundo as entidades, qualquer movimento abrupto pode destruir o que foi construído e abrir caminho para o mercado clandestino.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Investimento que sustenta o esporte

Nos últimos anos, o dinheiro vindo de empresas de apostas autorizadas se tornou um dos pilares financeiros do futebol brasileiro. O impacto é visível: os clubes do país dominam competições sul – americanas como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana, colocando times brasileiros em posição de protagonismo no continente.

Esse fluxo de recursos, no entanto, não beneficia apenas os grandes clubes. Equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com pouca exposição comercial também contam com esses valores. Para muitas agremiações do interior, não há hoje outro segmento econômico capaz de substituir esse investimento de forma imediata.

As receitas das apostas sustentam estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais e projetos sociais. Também mantêm departamentos que não geram recursos próprios suficientes, como parte do futebol feminino e a formação de novos talentos.

Essas áreas, segundo o posicionamento, seriam as primeiras a sofrer com uma queda abrupta de receita.

Leia também

O risco de um mercado clandestino

As entidades do futebol alertam que inviabilizar o modelo regulado não fará com que as apostas deixem de existir. Pelo contrário: a medida empurraria os consumidores de volta para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites de proteção e não colaboram com as autoridades.

Foi justamente a regulamentação que tirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação de competições. Para o setor, abandonar esse caminho agora significaria um golpe na segurança jurídica, colocando em risco contratos regularmente firmados e planejamentos plurianuais feitos sob o marco legal estabelecido pelo próprio Estado.

A consequência, na avaliação dos clubes e federações, não seria apenas o avanço das apostas ilegais. Seria um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. O recado final é direto: acabar com o mercado regulado não acaba com as apostas — acaba com o futebol.

Disposição para o diálogo

O futebol se diz mobilizado e reconhece suas responsabilidades. As entidades se colocam à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional e das autoridades estaduais e municipais para colaborar com mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.

A proposta é combater a ilegalidade com rigor, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado. Na visão do setor, o torcedor não pode pagar essa conta.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!