Classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas gera alerta sobre impactos no Brasil

A recente classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA pode trazer sérias consequências econômicas e reputacionais para o

(Imagem de reprodução da internet).

Consequências da Classificação do PCC e Comando Vermelho como Organizações Terroristas

A recente classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode acarretar diversas consequências econômicas e reputacionais para o Brasil. Em entrevista ao CNN Money, Jorge Lasmar, especialista em Relações Internacionais, analisou os impactos potenciais dessa decisão em diferentes setores da economia brasileira.

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Lasmar destacou que essa designação traz dois níveis de efeitos: a própria classificação como terrorismo e o regime de sanções que será implementado. “As empresas americanas estão proibidas de comerciar com entidades sancionadas. Isso pode restringir qualquer comércio ou ação com o Brasil”, explicou.

Além disso, as empresas dos EUA deverão adotar um rigor maior na identificação de seus parceiros comerciais brasileiros, o que pode aumentar os custos de compliance e de risco.

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Reforço nos Processos Internos e Riscos de Sanções

As empresas brasileiras também precisarão fortalecer seus processos internos para comprovar que não financiam nem facilitam a lavagem de dinheiro relacionada ao PCC ou ao Comando Vermelho. Se alguma empresa for identificada como apoiadora dessas organizações, poderá enfrentar sanções administrativas ou até criminais nos Estados Unidos, incluindo sanções secundárias.

No longo prazo, Lasmar alertou que o aumento dos custos de seguros para empresas internacionais que fazem negócios com o Brasil pode gerar um efeito inflacionário e, consequentemente, impactar as taxas de juros. “O preço do seguro pode encarecer bastante e gerar um efeito inflacionário, o que pode impactar a questão dos juros”, afirmou.

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Impacto Reputacional e Exemplos de Outros Países

O especialista também enfatizou o risco reputacional para o Brasil. “A mensagem que se passa internacionalmente é que existem dois grupos terroristas ativos no Brasil, dominando uma parte considerável do território. Isso pode afetar, inclusive, o setor de turismo”, avaliou Lasmar.

Para exemplificar os possíveis desdobramentos, ele mencionou o caso do México, que enfrentou uma situação semelhante, resultando em um aumento de ações legais contra empresas mexicanas nos Estados Unidos.

Além disso, a designação tem sido utilizada como justificativa para extradições e negação de vistos a cidadãos desses países. Outro ponto importante levantado por Lasmar é a mudança na cooperação internacional no combate ao crime. Com a nova classificação, o enfrentamento a esses grupos passa a ser tratado na esfera de defesa e segurança dos Estados Unidos, sob a responsabilidade da CIA, e classificado como matéria confidencial.

Isso pode impactar o fluxo de informações entre os dois países em casos que envolvem a presença do PCC no território americano.

Caminhos para o Diálogo Diplomático

Diante desse cenário, Lasmar apontou o diálogo diplomático como a principal alternativa a ser seguida. “Com certeza, a saída diplomática é uma maneira”, afirmou. No entanto, ele ressaltou que o governo brasileiro precisará demonstrar que adotou “medidas claras e eficazes de combate à criminalidade”, lembrando que o PCC já é sancionado pelos Estados Unidos desde 2021.