Cientistas captam sinal de rádio do exoplaneta β Pictoris b pela primeira vez
Detecção inédita do campo magnético de β Pictoris b foi feita com dados coletados entre 2025 e 2026 pelo radiotelescópio MeerKAT.
Uma equipe internacional liderada pelo Centro de Astrofísica Harvard – Smithsonian detectou emissões de rádio vindas de um planeta fora do Sistema Solar. Os sinais foram captados pelo radiotelescópio MeerKAT, que fica no Parque Nacional Meerkat, na África do Sul, e apontam para a presença de um campo magnético em um exoplaneta— algo que nunca havia sido medido diretamente antes.
As observações analisaram movimentos rápidos, recorrentes e de alta intensidade, com frequências entre 0,85 GHz e 3,5 GHz. Os dados foram coletados em quatro momentos diferentes, entre fevereiro de 2025 e maio de 2026. O alvo dos cientistas foi o β Pictoris b, um planeta gigante e jovem que orbita uma estrela vizinha.
O que o sinal de rádio revela sobre o planeta
Campos magnéticos planetários exercem funções essenciais, mas até agora não era possível medi – los diretamente em planetas fora do Sistema Solar. Uma das maneiras de investigá – los é por meio da chamada emissão de rádio auroral — um fenômeno produzido por elétrons acelerados ao longo das linhas do campo magnético.
A frequência máxima dessa radiação permite calcular a intensidade do campo magnético na região onde ela é gerada. Além disso, as características da emissão podem dar pistas sobre a rotação do planeta, a obliquidade do campo magnético e o conteúdo de plasma de sua magnetosfera.
No Sistema Solar, emissões desse tipo já foram detectadas na Terra e nos quatro planetas gigantes: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
No caso do β Pictoris b, os pesquisadores identificaram não apenas sinais rápidos e recorrentes, mas também uma emissão persistente. O estudo conclui que o resultado representa a primeira medição direta do campo magnético de um exoplaneta. O valor encontrado é compatível com modelos que preveem campos magnéticos para planetas gigantes, jovens e massivos.
Os cientistas também afirmam que o β Pictoris b é o primeiro caso em que uma emissão de rádio foi localizada em um exoplaneta e separada de sua estrela hospedeira.
Como a emissão de rádio foi gerada
As análises atribuem a emissão ao acoplamento entre a magnetosfera e a ionosfera do β Pictoris b. O processo é semelhante ao que ocorre em Júpiter e em anãs ultrafrias. Em uma magnetosfera de rotação rápida, o plasma fornecido internamente não consegue acompanhar a rotação do planeta a grandes distâncias.
Esse movimento relativo gera correntes alinhadas ao campo magnético, que aceleram elétrons em direção à atmosfera e podem alimentar a emissão auroral. A potência do sinal depende de fatores como a taxa de rotação do planeta, a intensidade do campo magnético, a taxa de fornecimento de massa ao plasma e a condutância da ionosfera.
No β Pictoris b, dois elementos observáveis favorecem esse cenário: a rápida rotação do planeta e um campo magnético da ordem de quilogauss, identificado pelo estudo. Para os autores, a observação representa não apenas a primeira detecção de emissão de rádio auroral em um exoplaneta, mas também uma nova forma direta de investigar seus campos magnéticos.