China e o Conflito no Oriente Médio
A China analisa o atual conflito no Oriente Médio como parte de um processo mais amplo que reflete a diminuição da influência global dos Estados Unidos. Essa avaliação é do professor de Relações Internacionais, Marcus Vinícius De Freitas, que também é professor visitante na Universidade de Relações Exteriores da China.
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Em entrevista ao jornal WW, da CNN Brasil, Freitas afirmou que, na perspectiva chinesa, o conflito é uma escolha. “A China observa isso como mais um fator que contribui para a queda hegemônica dos americanos, pois é uma guerra que não deveria ter ocorrido”, explicou.
Retratos do Conflito e Críticas à China
Freitas destacou que a maneira como o conflito é apresentado no Ocidente muitas vezes não reflete sua complexidade. Para ele, ouvir diferentes perspectivas é fundamental para uma melhor compreensão internacional. “Geralmente, a visão sobre essa guerra é distorcida em várias situações”, comentou.
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O professor também mencionou que a China está ciente das críticas que pode receber por sua política externa, especialmente por suas relações com países como o Irã. “Os chineses sabem que enfrentarão críticas, mas compreendem que isso faz parte de uma campanha contra a China”, afirmou.
Papel da China e dos BRICS
Freitas citou declarações do ex-embaixador dos Estados Unidos na China, Nicholas Burns, que questionou a eficácia da China como aliada internacional. “Ele disse: ‘De que adianta ser aliado da China se, na hora que você precisa, a China não ajuda?’”, relatou.
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Segundo o professor, a posição oficial da China se baseia no princípio da não intervenção e na defesa do fim imediato das hostilidades. “A posição da China é clara: não intervenção e parar a guerra”, enfatizou.
Ele também mencionou que o grupo de países do BRICS, que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia, poderia desempenhar um papel importante na busca por uma solução diplomática, apesar das divisões internas. “Os BRICS estão divididos, há uma rachadura”, ressaltou.
Freitas concluiu que, sem uma mobilização mais firme de atores internacionais, será desafiador interromper a escalada do conflito. “Se não houver um posicionamento de alguns países para pressionar os Estados Unidos e Israel a mudarem suas ações, será difícil parar essa guerra”, finalizou.
