China Reverte Deserto: Legado de Sustentabilidade e Milhões de Vidas Transformadas

China reverte deserto em projeto histórico! Em 40 anos, país recuperou 336 mil km² com o Programa Três-Nortes, elevando 15 milhões de pessoas para fora da

07/05/2026 19:37

4 min

China Reverte Deserto: Legado de Sustentabilidade e Milhões de Vidas Transformadas
(Imagem de reprodução da internet).

Reversão do Deserto na China: Um Legado de Sustentabilidade

Ao longo de quatro décadas, a China protagonizou uma transformação notável, revertendo um grave problema ambiental: a expansão descontrolada de desertos. Iniciada em 1978 com o Programa Três-Nortes, a política pública do país recuperou 336 mil quilômetros quadrados de terra desertificada – uma área comparável à da Alemanha ou do Mato Grosso do Sul – e contribuiu para tirar 15 milhões de pessoas da pobreza nas regiões afetadas, conforme dados da Administração Nacional de Florestas e Pastagens da China.

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A Escala do Desafio Planetário

O desafio é de escala global, considerando que mais de 2,5 milhões de quilômetros quadrados do território chinês sofrem de algum grau de degradação ambiental. Essa área corresponde quase ao dobro da extensão do estado do Pará, totalizando 26,81% do território nacional.

Os principais desertos, como o Taklamakan, em Xinjiang, o Gurbantünggüt, também em Xinjiang, o Badain Jaran e o Tengger, na Mongólia Interior e em Gansu, e o Kubuqi, na Mongólia Interior, representavam uma ameaça crescente, avançando em direção a áreas próximas a Pequim nas décadas de 1980 e 1990.

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Impactos e Causas

A desertificação representa perda de terras agricultáveis, a ocorrência de tempestades de areia que transportam poluentes e bactérias até as grandes cidades, e dificulta o desenvolvimento de estratégias de desenvolvimento rural e combate à pobreza.

A situação ameaça a segurança alimentar de um país com 1,4 bilhão de habitantes, onde apenas 14% do território é utilizado para a agricultura. As origens do problema são diversas, incluindo a presença de regiões naturalmente áridas e semiáridas, com ecossistemas frágeis, e ações humanas que aceleraram a degradação, como a coleta excessiva de madeira, o pastoreio intensivo e a expansão agrícola em solos inadequados.

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O Programa Três-Nortes e a Mudança de Paradigma

A resposta organizada começou em 1978, com o lançamento do Programa Três-Nortes, que abrangia o noroeste, norte e nordeste do país – 13 províncias e regiões. O objetivo era construir cinturões verdes que atuassem como barreiras contra o avanço da areia e a erosão do solo.

O programa, com previsão de conclusão em 2050, representa uma estratégia de mais de 70 anos, mantendo continuidade como política de Estado. Até 2025, mais de 30 milhões de hectares de áreas reflorestadas foram preservados e 336 mil km² de terra desertificada foram recuperados, segundo a Administração Nacional de Florestas e Pastagens.

Sustentabilidade Ecológica e a Constituição

A partir dos anos 2000, com o aprofundamento das políticas ambientais e, especialmente, após o 18º Congresso do Partido Comunista da China, em 2012, o combate à desertificação passou a integrar o conceito de civilização ecológica, central na política nacional.

Incorporado à Constituição em 2018, esse conceito condiciona o crescimento à sustentabilidade ecológica integrada e orienta a estratégia nacional, tornando a restauração de ecossistemas um requisito para o desenvolvimento. A premissa é que montanhas, rios, florestas, pastagens, lagos e desertos formam um sistema interligado, e que a gestão ambiental precisa tratar esses elementos de forma integrada, não em departamentos separados.

Abordagem Científica e Participativa

Em programas de reflorestamento, a política chinesa se distingue pela escolha de espécies nativas, adaptadas ao ecossistema local, em vez de priorizar o crescimento rápido ou o baixo custo. A legislação ambiental integral do país protege explicitamente os desertos de intervenções inadequadas.

Empresas como a Mengcao, especializada em restauração ecológica com plantas nativas da Mongólia Interior, utilizam bancos de dados detalhados de solo e espécies vegetais para desenvolver soluções adaptadas a cada região. As comunidades locais desempenham um papel central, plantando arbustos fixadores de areia e cultivando produtos adaptados ao clima árido, vinculando metas ecológicas à revitalização rural e ao aumento de renda.

Inovação Tecnológica e Integração de Energias Renováveis

O 15º Plano Quinquenal, que começa em 2026, aprofunda a integração entre o controle da desertificação e a energia fotovoltaica, expandindo projetos que combinam painéis solares com a fixação de dunas e cultivos agrícolas. Essa abordagem inovadora representa um caminho promissor para o Sul Global, onde crises ecológicas estruturais exigem instrumentos de política pública eficazes.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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