China Remove Barreiras Tarifárias em Continente Africano em Nova Aposta Comercial

China Amplia Política de Tarifa Zero para o Continente Africano
Em 2026, a China anunciou uma extensão significativa de sua política de tarifa zero, estendendo-a a todos os países com os quais mantém relações diplomáticas. Essa medida, implementada a partir de 1º de maio por meio do anúncio da Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado, já estava em vigor desde dezembro de 2024, restrita a 33 países africanos mais empobrecidos.
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A nova regra expande o acesso à tarifa zero para os restantes 20 países do continente, representando uma mudança estratégica na política comercial chinesa.
Objetivo de Acordos Econômicos Permanentes
O Ministério do Comércio da China declarou que, durante o período de vigência da tarifa zero, Pequim buscará negociar acordos de parceria econômica com os países africanos, visando estabelecer um acesso permanente aos mercados. A política visa evitar que a China se torne excessivamente dependente de importações de bens essenciais, um ponto crucial para a segurança econômica do país.
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Diferenciação em Relação à Política Americana
A medida contrasta com a política adotada pelos Estados Unidos sob o governo Donald Trump, que impôs tarifas sobre a maior parte do continente africano a partir de abril de 2025. Essas tarifas, que chegaram a atingir 50% sobre exportações de países como Lesoto, causaram demissões e cancelamento de pedidos.
A política americana, que se aplicava a todos os produtos exportados pelos países africanos, com isenções para itens considerados sensíveis para o mercado chinês, como cereais e açúcar, refletia uma abordagem distinta da China em relação à África.
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Condicionalidades e a Abordagem Chinesa
A política de cotas da China visa evitar que o país se torne dependente de importações em itens essenciais. Mamane Sani Adamou, secretário-geral da Organização Revolucionária para a Nova Democracia do Níger, destacou que a China se diferencia em dois aspectos principais: a ausência de tarifas alfandegárias e a falta de condicionalidades políticas impostas por instituições como o FMI e o Banco Mundial.
Adamou explicou que essas condicionalidades, comuns nas negociações com os Estados Unidos e outros países ocidentais, visam controlar a política econômica dos países, em vez de permitir que cada nação determine seu próprio caminho.
Rejeição à Dominação Imperialista
Kwesi Pratt, secretário-geral do Movimento Socialista de Gana, enfatizou que a lógica de condicionalidades remonta ao tráfico transatlântico de escravos e se prolonga até o neocolonialismo. Ele argumentou que a China, ao manter relações comerciais sem imposições, representa uma alternativa fundamental às práticas das potências imperialistas.
Pratt alertou sobre boicotes à construção das relações sino-africanas, mas ressaltou que a correlação de forças mudou, com a China em ascensão no campo da indústria e da tecnologia.
Desafios e Perspectivas para a África
Mamane Sani Adamou apontou que a tarifa zero sozinha não resolve o problema da dependência da África em matérias-primas. Ele defendeu que os países africanos devem explorar oportunidades como a Iniciativa Cinturão e Rota e a transferência efetiva de tecnologia e indústria.
Adamou reconheceu que o déficit comercial da África com a China de US$ 102,01 bilhões em 2025, um aumento de 64,5% em relação a 2024, é um desafio, mas acredita que a China pode desempenhar um papel fundamental na transformação da economia africana.
Unidade Africana e a Cooperação Sino-Africana
Kwesi Pratt enfatizou a importância da unidade do povo africano para maximizar os benefícios da cooperação com a China. Ele ressaltou que a divisão do continente, traçada na Conferência de Berlim em 1884, impede que a África negocie em igualdade de condições com seus parceiros.
Pratt defendeu a adoção de um projeto pan-africanista, com uma voz única e poderosa, para fortalecer a posição da África no cenário global.
Conclusão: Um Novo Capítulo na Relação África-China
A extensão da política de tarifa zero pela China representa um marco significativo na relação entre o continente africano e a segunda maior economia do mundo. Com a China buscando expandir sua presença econômica na África, e a África buscando oportunidades de desenvolvimento, a cooperação sino-africana está entrando em um novo capítulo, com o potencial de transformar a economia e a sociedade africanas.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



