China intensifica compras de carne bovina e Brasil e Austrália se aproximam de limites de cota
China intensifica compras de carne bovina, com Brasil e Austrália perto de esgotar cotas. Negociações em andamento podem mudar o cenário. Saiba mais!
China Aumenta Compras de Carne Bovina
A China, que é a maior importadora de carne bovina do mundo, adquiriu quase US$ 3 bilhões em carne brasileira e cerca de US$ 1 bilhão em carne australiana no primeiro trimestre de 2026. Dados oficiais do governo chinês indicam que ambos os países estão próximos de esgotar suas cotas de carne, que foram estabelecidas como parte das medidas de salvaguarda.
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Este sistema, que entrou em vigor em 1º de janeiro, foi implementado para proteger a produção pecuária interna da China.
Os países que ultrapassarem suas cotas enfrentarão uma tarifa de 55% sobre as importações. Com a continuidade do atual ritmo de embarques, Brasil e Austrália devem atingir esse limite já no próximo mês. Na prática, essa taxação funciona como um bloqueio comercial.
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Negociações em Andamento
O ministro da Agricultura, André de Paula, e o ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, estão na China esta semana e têm se reunido com autoridades locais para discutir a ampliação das cotas. Ambos os governos desejam que a China redistribua as cotas não utilizadas por outros países exportadores, conforme informado por fontes que acompanham as negociações.
Além disso, representantes australianos estão em conversações com a China sobre a possibilidade de isentar ossos e carnes refrigeradas do sistema de cotas, o que poderia aumentar o volume total das exportações. Até o final de março, dados do governo chinês mostraram que a Argentina utilizou 27,5% da cota de 594 mil toneladas, enquanto o Uruguai usou 15% da cota de 150 mil toneladas e a Nova Zelândia 14% da cota de 138 mil toneladas.
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Tentativas Anteriores e Perspectivas Futuras
Brasil e Austrália já tentaram pressionar por mudanças em reuniões anteriores com autoridades chinesas. Isabel Nepstad, CEO da BellaTerra Consulting, uma consultoria baseada em Xangai que assessora empresas, incluindo frigoríficos brasileiros, acredita que as tentativas serão feitas novamente, mas a China provavelmente rejeitará mais uma vez.
A carne brasileira, que é mais competitiva em termos de preço, compete diretamente com os produtos locais, enquanto a Austrália tende a exportar cortes premium, que são menos produzidos internamente na China. Analistas afirmam que a Austrália pode se beneficiar ao redirecionar seus fluxos de exportação para Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.
Por outro lado, o Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em receitas de exportação em 2026 se as cotas não forem revisadas, segundo a Abrafrigo, que representa os frigoríficos brasileiros.
Após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China na semana passada, Pequim reabriu o mercado para pecuaristas norte-americanos, reabilitando mais de 400 unidades que estavam com a autorização de exportação vencida. De acordo com Matt Dalgleish, da consultoria australiana Episode 3, isso torna ainda menos provável que a China amplie as cotas para outros países.