China e Rússia vetam resolução da ONU sobre Estreito de Ormuz; o que se desenha?

Conselho de Segurança da ONU Rejeita Resolução sobre Estreito de Ormuz com Vetos de China e Rússia
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) não aprovou um projeto de resolução proposto pelo Bahrein, representando nações do Golfo Pérsico. O texto visava condenar o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, mas recebeu vetos dos membros permanentes China e Rússia.
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A proposta criticava apenas as retaliações iranianas, sem mencionar as ações de Estados Unidos e Israel. Além disso, defendia a soberania dos países do Golfo sem abordar a integridade territorial ou a independência política do Irã.
Detalhes da Resolução e Posições dos Países
O projeto afirmava o direito dos “Estados-Membros, em conformidade com o direito internacional, defenderem suas embarcações contra ataques e provocações, incluindo aquelas que prejudicam os direitos e liberdades de navegação”. Onze nações votaram a favor: Bahrein, EUA, Reino Unido, França, Dinamarca, Grécia, Panamá, Libéria, Letônia e Congo.
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A Colômbia e o Paquistão se abstiveram.
Argumentos do Bahrein e o Contexto do Estreito
Ao apoiar o texto, o Bahrein — que falava em nome de Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia — enfatizou que o Irã não deveria fechar o Estreito de Ormuz, crucial para o trânsito de cerca de 20% do petróleo e gás mundiais.
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“A não adoção desta resolução envia um sinal errado ao mundo… um sinal de que as ameaças às vias navegáveis internacionais podem passar sem qualquer ação decisiva da comunidade internacional”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani.
Perspectivas do Irã e Críticas Internacionais
O Irã justificou o fechamento do Estreito como retaliação às agressões sofridas de Israel e EUA, prometendo manter o canal fechado para nações consideradas hostis à República Islâmica. O embaixador de Teerã, Amir Saeid Iravani, criticou o projeto do Bahrein.
Iravani alegou que o objetivo do projeto era “punir a vítima por defender sua soberania e seus interesses nacionais vitais no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz”, sugerindo que o texto oferecia cobertura jurídica para futuros atos ilegais dos agressores.
Posicionamentos de Rússia e China
O embaixador russo, Vassily Nebenzia, classificou o texto como “errôneo e perigoso para a situação na região”. Para Moscou, o projeto do Bahrein coloca o Irã como única fonte de tensões, ignorando ataques de EUA e Israel.
Nebenzia relembrou que a interpretação da Resolução 1973 de 2011 prejudicou a Líbia. Ele anunciou que a Rússia e a China apresentariam uma resolução alternativa, prometendo que seria “concisa, equitativa e equilibrada”.
A Visão Chinesa sobre o Conflito
A China, por sua vez, apontou que o projeto não capturou “as causas profundas e o quadro completo do conflito de forma abrangente e equilibrada”, segundo o embaixador Fu Cong. O diplomata chinês ressaltou que o Conselho não deveria votar com pressa.
Fu Cong manifestou o compromisso chinês de tratar a situação de forma adequada, combatendo suas raízes. Ele culpou os EUA e Israel por instigar a guerra e exigiu o fim das “ações militares ilegais”, pedindo também ao Irã que cessasse seus ataques.
A Perspectiva dos Estados Unidos e o Estreito Vital
O representante dos Estados Unidos, Michael Waltz, enfatizou que o Estreito de Ormuz é vital demais para ser usado “como refém, bloqueado ou instrumentalizado por qualquer Estado”. Os EUA manifestaram solidariedade aos povos do Golfo.
O texto finaliza com o entendimento de que o Irã retaliou contra bases militares e infraestruturas energéticas dos países do Golfo, alegando que essas nações participam da guerra ao permitir que agressores utilizem seu território e espaço aéreo contra o Irã.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



