China denuncia interferência americana no comércio com Irã após sanções

China intensifica defesa do comércio com Irã contra acusações americanas e sanções internacionais.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, durante conferência de imprensa em Pequim

A China reagiu veementemente às ameaças dos Estados Unidos, que aplicaram novas sanções contra países com comércio em relação ao Irã. Nesta terça – feira (25), o porta – voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, participou de uma coletiva e refutou qualquer ideia de interferência no fluxo comercial entre Pequim e Teerã.

“Nossa cooperação sempre ocorreu dentro da lei internacional”, afirmou Lin Jian perante a imprensa chinesa. Ele reforçou ainda que é ilegal fazer avaliações unilaterais sobre as relações comerciais bilaterais, garantindo: “A China tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos e interesses”.

China defende comércio com Irã contra pressões dos EUA

O comentário do porta – voz chinês marca claramente o posicionamento político de Beijing diante das tentativas percebidas pelos Estados Unidos em cercar economicamente o país persa através de sanções.

Estrategicamente falando, Pequim detém um papel crucial no mercado energético iraniano; atualmente, a nação chinesa é responsável por receber cerca de 80% da exportação total de petróleo bruto vindo do Oriente Médio. Essa dependência torna as relações comerciais entre China e Irã particularmente sensíveis para Washington.

Fluxo estratégico: O impacto nas reservas energéticas

O Estreito de Ormuz foi alvo constante desde fevereiro deste ano — quando EUA e Israel iniciaram uma operação militar contra território iranianos —, o que gerou imediato fechamento em parte desse importante corredor comercial global.

Um dos objetivos implícitos defendidos pelo governo Donald Trump era justamente prejudicar esse fluxo, afetando diretamente a economia chinesa no período mais recente (2025). Segundo dados da consultoria Kpler, por exemplo, nação oriental comprou um volume médio anual equivalente a 1,38 milhão de barris do petróleo iraniano.

A China mantém também grande interesse estratégico pela ampliação das suas reservas. Isso é motivado tanto pelas necessidades internas populacionais quanto como forma crucial de mitigar riscos decorrentes de conflitos geopolíticos ativos em regiões sensíveis do Oriente Médio.

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Essa necessidade foi evidente nos primeiros dois meses de 2026: ciente possível escalada regional, o país asiático aumentou sua compra de óleo em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados da administração aduaneira chinesa.

Tensão diplomática e sanções americanas

Os próximos passos dos Estados Unidos permanecem incertos no plano militar ou comercial. As ameaças recentes se concentraram mais sobre aliados iranianos sem citar nomes específicos na esfera financeira global brasileira nem nas instituições chinas.

Em coletiva realizada segunda – feira (25), Scott Bessent divulgou um pacote robusto de sanções contra sessenta indivíduos, entidades e embarcações por suposto envolvimento em comércio com o Irã. Questionado pelo tom genérico das alvos potenciais do embargo financeiro, ele rebateu a pergunta afirmando: “Por que eu iria querer implodir o sistema financeiro global?”.

Enquanto isso, Donald Trump continua utilizando uma retórica voltada para convencer tanto os americanos quanto sua base política sobre seu sucesso econômico no embate militar versus comercial com Teerã.

Em termos diplomáticos mais amplos, está previsto encontrar – se Xi Jinping e Trump na capital americana ao final de setembro; este seria um segundo encontro entre líderes dessas duas potências globais após aquela realizada em maio.