China avalia sediar COP33 com foco no protagonismo ambiental

China busca protagonismo ambiental ao avaliar sediar COP33 com foco nas metas climáticas globais.

CHINA - vista de Pequim FOTO: LEANDRO FONSECA DATA: MAIO 2024

A chance da China se tornar anfitriã de uma conferência climática mundial em reforça sua ambição geopolítica no cenário internacional.

Autoridades sediadas em Pequim estão discutindo a possibilidade de o país — um dos maiores poluidores do mundo e, paradoxalmente, líder na área renovável— candidatar – se para receber a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 33) em 2028.

O movimento visa consolidar Xi Jinping como protagonista nas negociações globais ambientais.

O vácuo político que impulsiona candidatura

A disputa pela organização da COP é complexa; mesmo processos com folga podem enfrentar dificuldades sem consenso rápido, conforme evidenciado pelo impasse recente entre Austrália e Turquia durante o evento anterior à sede definida por Belém.

Esse cenário de incerteza criou um “vazio” no grupo Ásia – Pacífico para a próxima edição do clima global após as desistências recentes na região. A Índia era considerada uma forte candidata ao sediar o encontro climático em questão.

No entanto, Pequim observou essa saída indiana — surpreendente porque Nova Delhi se posicionava como voz importante nas negociações globais —, que não foi anunciada publicamente; apenas comunicada às outras nações asiáticas sob justificativa genérica sobre revisão de compromissos climáticos anuais

Discursos verdes e ambição por protagonismo

Apesar da resistência histórica chinesa a apoios mais rígidos para acabar com combustíveis fósseis ou aumentar significativamente os textos oficiais de financiamento climático global em fóruns internacionais, o discurso oficial do país é voltado à mitigação.

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Xi Jinping tem tratado essa pauta como prioridade central desde 2015.

Em um pronunciamento recente, ele destacou que este momento era crucial após dez anos do Acordo de Paris: seria necessário apresentar novas Metas Climáticas Determinadas Nacionalmente (NDCs). O plano chinês prevê elevar o consumo energético não fossil combustível acima dos 30% na matriz e multiplicar por seis a capacidade instalada tanto da energia solar quanto da eólica comparando com dados de 2020; esse número atinge os impressionantes 3,6 bilhões de quilowatts.

O futuro das negociações climáticas

Especialistas apontam que sediar uma COP exige grande peso diplomático. Por isso, um planejamento publicado pelo Ministério do Ecologia e Meio Ambiente reforça essa ambição: China busca ampliar significativamente sua influência no poder decisório global sobre clima até o ano de 2030.

Ainda há pouca clareza quanto à definição da sede em geral; a Convenção – Quadro das Nações Unidas (UNFCCC), órgão responsável por organizar as COPs com os seus 197 países membros, não comentou publicamente se haverá ou quando será definida esta candidatura chinesa para receber eventos como o previsto na Cop 33.

O processo envolve discussões preliminares entre órgãos ambientais e o Ministério das Relações Exteriores chinês. Qualquer decisão definitiva sobre avançar dependeria do aval dos mais altos escalões governamentais.