O governo chinês expressou nesta quarta-feira (1º) sua forte oposição às novas licenças gerais emitidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Essas licenças visam restringir a participação de Rússia, Coreia do Norte, Cuba e Irã nas operações do setor mineral venezuelano.
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A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, durante uma coletiva de imprensa em Pequim.
Mao Ning afirmou que a China se opõe firmemente ao uso das chamadas “licenças gerais” pelos EUA para impor restrições à cooperação sino-venezuelana. Ela enfatizou que os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser protegidos.
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A porta-voz também exigiu o levantamento imediato das restrições impostas à Venezuela, argumentando que as licenças gerais são um instrumento para dar uma aparência de legitimidade a ações que, na prática, continuam violando os direitos e interesses de outros países envolvidos.
Impacto nos Intercâmbios Comerciais
As novas licenças gerais permitem que empresas americanas operem no setor mineral venezuelano, incluindo a extração e comercialização de ouro, além de atividades nos setores de petróleo, gás e petroquímica. As condições estabelecem que contratos com entidades venezuelanas devem ser regidos pela legislação estadunidense, com pagamentos a pessoas ou entidades bloqueadas direcionados a um fundo supervisionado pelos EUA, e com obrigações periódicas de relatórios ao Departamento do Tesouro.
Essa situação impõe restrições unilaterais à participação de empresas da China, Rússia, Irã, Coreia do Norte e Cuba nas operações que ocorrem na Venezuela.
Relação Estratégica e Preocupações Geopolíticas
A medida atinge diretamente interesses estratégicos chineses na Venezuela, onde a China é um dos principais parceiros comerciais do país, com um intercâmbio bilateral que superou US$ 5 bilhões nos dez primeiros meses de 2025, segundo a Administração Geral das Alfândegas da China.
Empresas chinesas, como a estatal CNPC, operam joint ventures com a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), e Pequim tem décadas de empréstimos e investimentos em infraestrutura no país sul-americano. Essa situação se insere em uma estratégia lançada pelo governo Trump em dezembro de 2025, que coloca a China no centro de suas preocupações geopolíticas e defende explicitamente a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência estadunidense no Hemisfério Ocidental.
A medida do Ofac ocorre em um contexto de crescente tensão na Venezuela, marcada por uma invasão militar estadunidense no início deste ano, com bombardeios, mais de cem mortos e o sequestro do presidente venezuelano. Washington cumpre à força o que anunciou na estratégia, buscando tomar o controle dos recursos venezuelanos para empresas estadunidenses e expulsar países que classifica como adversários.
Autor(a):
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.
