Chavismo em Crise: A Revolução Política na Venezuela Após a Prisão de Nicolás Maduro

O chavismo enfrenta um “novo momento político” após a prisão de Nicolás Maduro. Descubra as mudanças e os desafios que a Venezuela enfrenta em 2026!

07/06/2026 14:21

5 min

Chavismo em Crise: A Revolução Política na Venezuela Após a Prisão de Nicolás Maduro
(Imagem de reprodução da internet).

Chavismo e o Novo Momento Político na Venezuela

O chavismo frequentemente utiliza a expressão “novo momento político” para descrever as consequências da prisão de seu líder, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026. Desde então, foram tomadas decisões significativas, como uma ampla reformulação do gabinete e a aprovação de leis que favorecem o investimento internacional.

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Um exemplo recente dessa nova realidade é a autorização para a realização de exercícios militares do Comando Sul na embaixada dos Estados Unidos em Caracas, algo impensável no final de 2025. Essa situação também evidencia as prioridades do regime que está no poder há 27 anos.

Embora o discurso anti-imperialista tenha desaparecido do topo do governo, a situação na Venezuela permanece em muitos aspectos inalterada. Até 25 de maio de 2026, havia 409 presos políticos, conforme dados da ONG Foro Penal, mesmo com algumas libertações desde janeiro e uma abertura política tímida que permitiu o retorno de líderes da oposição.

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Contudo, ainda não há uma data definida para as eleições presidenciais, e a estrutura repressiva que levou a condenações da ONU e investigações por possíveis crimes contra a humanidade permanece intacta.

Concessões Táticas e Alianças Inesperadas

Atualmente, Delcy Rodríguez lidera uma fase que, apesar das críticas internas, continua a tradição de seus antecessores de fazer concessões táticas para se manter no poder. Recentemente, a CNN revelou que, antes da prisão de Maduro e de Cilia Flores, houve diálogos entre Venezuela e EUA sobre o futuro do país caso Maduro deixasse o cargo.

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Durante essas conversas, o nome da líder oposicionista María Corina Machado não foi considerado, mesmo com seu apoio à formação de uma coalizão militar internacional para destituir o sucessor de Hugo Chávez.

A captura de Maduro e sua esposa causou surpresa na oposição, especialmente quando Trump manifestou apoio à continuidade de Rodríguez. Machado descreveu a prisão como “a hora da liberdade”. Uma gravação divulgada no YouTube, uma semana após a captura, mostra o ministro de Comunicação e Informação, Freddy Ñáñez, reunindo comunicadores do governo para delinear a estratégia de propaganda e as mensagens a serem transmitidas.

Durante a reunião, Ñáñez anunciou que Delcy Rodríguez estava a caminho para se comunicar com os participantes.

Objetivos e Apoio Internacional

Rodríguez destacou a necessidade de agir com paciência e prudência, estabelecendo três objetivos: preservar a paz da República, resgatar os reféns e manter o poder político. Quatro meses após essa reunião, ela consolida seu poder com o apoio de Washington, que busca o fornecimento de petróleo venezuelano em meio a uma campanha militar no Oriente Médio.

Um estudo do Centro de Política e Pesquisa Interamericana da Universidade de Tulane indica que a transição para a democracia na Venezuela não é prioridade para a atual administração americana, que parece confortável com a tutela sobre os sucessores de Maduro.

Trump elogiou várias vezes o trabalho de Delcy Rodríguez, afirmando que “esta revolução é eterna”. O chavismo, ao longo dos anos, tem equilibrado suas declarações grandiosas com avanços e retrocessos para se manter no poder. Hugo Chávez frequentemente proclamava que sua revolução era eterna, especialmente após o golpe de Estado que enfrentou em 2002, quando conseguiu recuperar sua popularidade ao convocar o diálogo e a unidade nacional.

Conflitos e Respostas da Oposição

Enquanto isso, a oposição buscava formas de encerrar o mandato de Chávez, inicialmente através de iniciativas insurrecionais e, posteriormente, eleitorais. A solução acordada entre governo e oposição, mediada pela OEA e pelo Centro Carter, foi a convocação de um referendo revogatório.

O chavismo garantiu a maioria no Conselho Nacional Eleitoral, assegurando que o plebiscito ocorresse em agosto de 2004, data limite estabelecida pela Constituição.

Apesar das alegações de fraude, Chávez permaneceu no poder, apoiado por um programa de “missões sociais” que garantiu recursos e atendimento médico à sua base eleitoral. Mesmo após perder uma consulta popular em 2007, ele apresentou novamente parte de seu projeto em 2009, permitindo sua candidatura nas eleições de 2012.

Após a morte de Chávez, Maduro enfrentou uma derrota nas eleições legislativas de 2015, mas a oposição não conseguiu exercer a maioria qualificada obtida nas urnas devido a intervenções do Tribunal Supremo de Justiça.

Consolidação do Poder e Apelos à Diáspora

Em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte em resposta aos protestos, relegando a Assembleia Nacional oposicionista a um papel irrelevante. A repressão e o exílio enfraqueceram a oposição, e a declaração da vitória de Maduro em 28 de julho de 2024, sem a publicação dos resultados, marcou uma nova fase de condenação internacional e repressão à liderança política oposicionista, culminando na captura de 3 de janeiro.

Com a consolidação do poder, Delcy Rodríguez parece disposta a liderar essa nova etapa, buscando deixar para trás os anos difíceis de seu antecessor. Seu irmão, Jorge Rodríguez, fez um apelo à diáspora venezuelana para que “superem, nos perdoem e voltem”.

Um documento recente indica que o advogado Jihad M. Smaili se registrou como representante legal de Rodríguez nos Estados Unidos, podendo assessorá-la em sua futura campanha para as eleições presidenciais da Venezuela.

Essa reviravolta coloca o chavismo em uma posição semelhante a outros movimentos caudilhistas da América Latina, como o peronismo na Argentina, onde a orientação ideológica pode mudar, mas o foco permanece na preservação do poder.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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