Chás calmantes: descubra como ervas podem aliviar o estresse e a ansiedade!
A rotina agitada intensifica o estresse, mas chás calmantes como camomila e valeriana podem ser a solução. Descubra como essas ervas ajudam na saúde mental!
O impacto do estresse e a busca por chás calmantes
A rotina acelerada e a constante sobrecarga de informações têm tornado o estresse e a ansiedade presenças quase permanentes no cotidiano atual. Para contrabalançar esse ritmo frenético, muitas pessoas estão resgatando o antigo hábito de preparar chás relaxantes antes de dormir.
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A medicina contemporânea tem investigado a bioquímica dessas ervas para compreender seu verdadeiro impacto na saúde mental.
A evidência é clara: a natureza oferece substâncias químicas poderosas que podem influenciar nossa saúde mental. Para entender quais infusões realmente apresentam resultados baseados em evidências, a CNN Brasil conversou com a médica Inácia Simões, especialista em Anestesiologia e Dor pelo Centro Clínico Saint Moritz.
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Ela afirma que a tradição é respaldada pela ciência atual, citando cinco chás com propriedades calmantes: camomila, valeriana, maracujá (passiflora), lavanda e erva-cidreira (melissa).
A química do relaxamento e o papel do GABA
Para entender como uma simples xícara de chá pode afetar o cérebro, é necessário analisar os neurotransmissores. O estresse ocorre, em grande parte, devido à hiperatividade das redes neuronais. Segundo a especialista, a maioria dessas ervas fitoterápicas atua na modulação do sistema GABAérgico, que é o mesmo alvo dos ansiolíticos convencionais.
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A principal vantagem está no perfil dessas ervas, que proporcionam relaxamento com menos efeitos adversos cognitivos e menor risco de sintomas de abstinência.
A médica destaca que a ação dessas plantas no organismo é complexa e sistêmica. Além da modulação do sistema GABAérgico, outros mecanismos incluem a regulação de vias monoaminérgicas e serotoninérgicas, a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e efeitos anti-inflamatórios significativos.
As cinco ervas com ação neurológica comprovada
A literatura médica detalha o comportamento clínico de cada uma dessas cinco ervas, mostrando que cada planta possui características específicas no combate ao estresse e à insônia.
- Camomila (Matricaria recutita): Uma das plantas mais conhecidas, a camomila apresenta efeitos ansiolíticos, sedativos e antinociceptivos. Sua eficácia é atribuída à modulação GABAérgica e à inibição da enzima FAAH, responsável pela metabolização de endocanabinoides.
- Valeriana (Valeriana officinalis): Com um aroma forte, essa raiz é reconhecida por seus efeitos sedativos e ansiolíticos, atuando diretamente nos receptores GABA-A. Apesar de evidências inconclusivas, é considerada uma das melhores opções para tratar insônia relacionada à ansiedade.
- Maracujá / Passiflora (Passiflora incarnata): As folhas dessa planta tropical oferecem efeitos ansiolíticos e sedativos por meio da modulação GABAérgica. A médica Inácia menciona que combinações com valeriana podem resultar em eficácia comparável a tratamentos convencionais.
- Lavanda (Lavandula angustifolia): Além de ser um aliado na aromaterapia, a ingestão de lavanda proporciona efeitos ansiolíticos e benefícios diretos para a depressão e insônia, com evidências que a colocam como uma das opções mais eficazes entre os fitoterápicos.
- Erva-cidreira / Melissa (Melissa officinalis): Com efeitos ansiolíticos e calmantes, a melissa é considerada possivelmente segura e eficaz, com forte apoio de evidências em ensaios clínicos para pacientes com transtornos de ansiedade.
Segurança e riscos dos produtos naturais
Há uma crença comum de que produtos naturais não causam efeitos colaterais, o que é um equívoco. Embora os chás mencionados tenham perfis de segurança favoráveis em comparação com medicamentos convencionais, é fundamental ter precauções. A especialista alerta sobre as particularidades de cada substância.
Enquanto camomila e lavanda são geralmente bem toleradas, outras ervas requerem atenção. A valeriana pode provocar cefaleia e, em casos raros, hepatotoxicidade. O maracujá pode causar sedação excessiva e, em doses elevadas, levar à ataxia e depressão do sistema nervoso central.
A lavanda deve ser usada com cautela, pois pode potencializar os efeitos sedativos de narcóticos e outros sedativos farmacêuticos.
A ciência em evolução
Apesar do uso histórico dessas ervas, a aceitação formal na medicina ainda enfrenta desafios acadêmicos. A Dra. Inácia ressalta que as evidências têm limitações. Embora os resultados sejam promissores, muitos estudos apresentam um número reduzido de participantes e alto risco de erros. “A medicina exige ensaios clínicos maiores e com metodologias adequadas para estabelecer recomendações definitivas.
Além disso, a eficácia na prática clínica pode variar conforme a duração do tratamento, o perfil do paciente, a via de administração e o método de preparo da infusão”, conclui.