Mais de 100 sindicatos argentinos se manifestaram contra a reforma trabalhista em andamento, concentrando-se em frente ao Senado, onde a votação do projeto está prevista para esta sexta-feira (27). A mobilização ocorre em um momento de grande tensão, apesar da Confederação Geral do Trabalho (CGT) ter optado por uma estratégia de contestação judicial, em vez de uma greve geral, após a greve de 19 de fevereiro.
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Desdobramentos da Controvérsia
A reforma, que inclui o aumento da jornada de trabalho, a redução de indenizações por demissão, o limite ao direito de greve e a permissão para pagamentos em espécie, gerou forte reação entre os trabalhadores. A direção da CGT reconheceu a dificuldade de reverter o cenário no Parlamento e decidiu focar em ações judiciais para contestar a lei.
Uma marcha restrita a delegados e dirigentes está programada para segunda-feira, 2 de março, com o objetivo de fortalecer a contestação judicial.
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No entanto, setores sindicais de base ignoraram a decisão da direção e convocaram um dia de protesto em frente ao Congresso Nacional. A principal concentração ocorreu na Plaza de los Dos Congresos, com paralisações em setores como o industrial, educacional e de transportes.
Manifestantes bloquearam ruas no centro de Buenos Aires, e as forças de segurança utilizaram spray de pimenta e balas de borracha para dispersar os bloqueios nas avenidas 9 de Julio e Corrientes.
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Situação Adicional e Impacto Econômico
Um bloqueio na Rodovia Pan-Americana, liderado por trabalhadores da empresa FATE, que foi fechada arbitrariamente, gerou ainda mais tensões. A FATE, principal fabricante de pneus da Argentina, fundada em 1940, teve seus mais de 900 funcionários demitidos.
Analistas apontam para uma fratura interna dentro da CGT, refletindo o distanciamento entre a liderança e os sindicatos mobilizados.
Matías Cremonte, presidente da Associação Latino-Americana de Advogados e Advogadas Trabalhistas, classificou a reforma como “regressiva” e baseada em uma “premissa falsa”, argumentando que a legislação trabalhista não é o principal fator na criação ou destruição de empregos, mas sim a política econômica.
Pesquisas indicam que 80% das empresas manufatureiras não planejam contratar novos funcionários nos próximos três meses, enquanto 15,7% pretendem demitir colaboradores. A iniciativa é apoiada pelas principais câmaras empresariais, embora haja ressalvas sobre a necessidade de medidas adicionais para estimular a criação de empregos.
