
A situação do já delicado cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã se tornou ainda mais complexa, com Teerã acusando Israel de infringir o acordo ao realizar um ataque massivo contra o Líbano. Enquanto isso, tanto Israel quanto os EUA afirmam que o Líbano não está incluído no cessar-fogo com o Irã, anunciado na noite de terça-feira (7), que também previa a reabertura do Estreito de Ormuz.
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Teerã, por sua vez, argumenta que o acordo abrange o território libanês.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito, estava presente nas negociações, mas o Exército israelense declarou que os ataques ao Hezbollah no Líbano prosseguiriam. Na quarta-feira (8), Israel realizou operações que classificou como necessárias.
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Autoridades iranianas informaram que suas forças armadas estão identificando possíveis alvos para retaliar e alertaram que, se os Estados Unidos não conseguirem conter Israel, o Irã responderá “com força”.
Na quarta-feira (8), Israel lançou ataques no Líbano, resultando em pelo menos 254 mortes e 837 feridos, segundo autoridades libanesas. O governo israelense afirmou que os alvos eram membros do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, enquanto o primeiro-ministro libanês denunciou que os ataques atingiram civis desarmados.
O Irã considera essa ação uma violação grave do cessar-fogo.
O Paquistão, que mediou as negociações e apresentou a proposta de cessar-fogo de duas semanas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou preocupação com a situação. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declarou que a navegação pelo Estreito de Ormuz foi afetada após os bombardeios israelenses.
Dados de rastreamento marítimo indicaram que nenhum navio estava transitando pelo estreito no início da quinta-feira, após a implementação do cessar-fogo.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reiterou que, se o Irã não cumprir a promessa de reabrir o estreito, o cessar-fogo será encerrado. Para complicar ainda mais a situação, Vance mencionou que houve três propostas diferentes de 10 pontos. A proposta inicial do Irã foi prontamente rejeitada pelos negociadores americanos, enquanto uma segunda versão foi aceita por Trump.
A terceira versão, considerada “maximalista”, circula nas redes sociais.
Em uma publicação no Truth Social na noite de quarta-feira (8), Trump afirmou que todos os navios, aeronaves, armas e militares dos Estados Unidos permanecerão em alerta até que um acordo completo seja alcançado. Ele também destacou que o Irã não pode possuir armas nucleares e que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e seguro.
O presidente sugeriu que os EUA poderiam assumir um papel na segurança da hidrovia em parceria com o Irã.
Vance, juntamente com o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, viajará a Islamabad, no Paquistão, para iniciar negociações com o Irã no sábado (11). Contudo, o presidente do Parlamento iraniano alegou que partes da proposta do Irã foram violadas antes mesmo do início das conversas.
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Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.