Cerrado em crise: seca apocalíptica ameaça o Brasil! Especialistas alertam para a destruição do bioma e a falta de água. Saiba mais!
Em um evento realizado no domingo (22), no Eixão do Lazer, especialistas e movimentos sociais uniram esforços para chamar a atenção para o avanço da degradação do Cerrado. A iniciativa, parte da campanha “Cerrado Coração das Águas”, ressaltou que o bioma enfrenta não apenas uma seca, mas um processo de destruição que ameaça a segurança hídrica do país.
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A professora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), destacou que a velocidade da devastação é alarmante, comparando-a a um “crime contra o conhecimento acumulado por milhões de anos”.
Bustamante enfatizou que o país está perdendo a riqueza da biodiversidade, resultado de uma ocupação que ignora o valor do Cerrado. Ela apontou que a destruição é consequência de uma lógica histórica que subestimou a importância da vegetação.
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Apesar da atenção dada à Amazônia, o Cerrado é fundamental para o abastecimento de água, alimentando oito das doze regiões hidrográficas do Brasil, incluindo 93% da água da bacia do Rio São Francisco.
Yuri Salmona, fundador do Instituto Cerrados, alertou sobre a drástica redução da vazão do São Francisco, causada pelo desmatamento no Cerrado. Ele informou que o desmatamento nas áreas de recarga já atingiu 74%. Apesar desse cenário preocupante, a destruição do Cerrado recebe menos atenção do que a da Amazônia, que no último ano superou os índices de desmatamento do Cerrado, com a destruição de cerca de 11 mil quilômetros quadrados.
O modelo de agronegócio, baseado na produção em larga escala de commodities, é apontado como um dos principais responsáveis pelo desgaste dos recursos hídricos e energéticos. Yuri Salmona descreveu o sistema como contraditório, comprometendo a própria base de sustentação do agronegócio.
Ele ressaltou que, enquanto o agronegócio ocupa a maior parte das terras com produção voltada à exportação, a agricultura familiar, com menos de 30% da área, é responsável por garantir a alimentação da população brasileira.
Um exemplo preocupante dessa lógica predatória é a tentativa de monetizar a Serrinha do Paranoá, uma área estratégica para a recarga do Lago Paranoá, que abriga 119 nascentes em risco de urbanização. Especialistas alertam que a urbanização da região representa um erro técnico grave, comparando-a a “furar a caixa de água da casa de vocês”.
Mercedes Bustamante reforça que a ocupação dessas áreas compromete todo o sistema hídrico da capital, afetando diretamente as zonas de recarga que abastecem as regiões mais baixas.
Os especialistas enfatizam que o tempo para reverter o cenário é curto, e a recuperação de áreas degradadas no Cerrado pode levar décadas, exigindo ações imediatas de preservação. Bustamante defende a proteção integral do bioma, criticando o Código Florestal, que ainda permite a supressão de até 80% da vegetação em propriedades privadas.
Ela critica a falta de avanço político sobre o tema, ironizando que “a hora que faltar a água lá no banheiro do Congresso, talvez a gente tenha essa perspectiva”.
Para os movimentos sociais, o alerta para preservar o Cerrado não é apenas uma pauta ambiental, mas uma condição para garantir água, produção de alimentos e qualidade de vida.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.