O futuro do Centro de Reabilitação de Porto Alegre (Cerepal) está em jogo, gerando uma intensa mobilização entre pacientes, familiares e vereadores. A pressão sobre a prefeitura busca garantir a continuidade de um serviço essencial para crianças e jovens com paralisia cerebral e outras condições motoras, que conta com 62 anos de atuação na cidade. A situação se tornou evidente durante a 9ª reunião da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), evidenciando a urgência da questão.
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Com uma trajetória de mais de seis décadas, a Cerepal se destaca como uma referência no atendimento a pessoas com deficiência. A instituição oferece suporte não apenas aos pacientes, mas também às suas famílias, com cerca de 2 mil atendimentos mensais. O vereador Pedro Carlos (PCdoB), autor da iniciativa da reunião, ressaltou a relevância histórica da instituição, enfatizando que “A Cerepal é uma instituição que tem mais de 60 anos, não são 60 dias. São anos de história atendendo crianças atípicas e pessoas com deficiência com acolhimento”. A preocupação é que a falta de recursos possa comprometer o futuro da instituição.
A vereadora Patrícia Torres (PT), presidenta da Cedecondh, criticou a gestão municipal, questionando a alocação de recursos. “Sebastião Melo pode aumentar o repasse, porque quem distribui os recursos e tem autonomia de caneta no município é o prefeito. O município investe milhões em publicidade. Por que não investir mais recursos em quem está cumprindo um papel que é do Estado?”, afirmou. A crítica se soma à percepção de que a saúde e a assistência social não são prioridades na administração atual.
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A vice-diretora da Cerepal, Tânia Rauber, descreve a luta constante para manter o serviço, destacando a importância da instituição na vida das famílias. “É uma luta constante que não abrimos mão. O Cerepal tem uma importância grande para esses jovens e crianças porque é onde elas têm uma vida social e aprendem muitas atividades, que são simples para outras crianças, mas para eles exige certo estímulo”, explica. O advogado da instituição, Maxsoel Bastos, detalha as dificuldades financeiras e os entraves no diálogo com o poder público.
Usuários e familiares relatam os impactos do atendimento na vida das crianças e jovens. Odoraci Marina do Amaral, paciente, relata: “Não podemos deixar acabar o trabalho de uma instituição séria. Tive um tempo que estava na cadeira de rodas e a minha foi muito rápida, por meio das terapias com convívio social que dialogam com a educação e a saúde. Estou ansiosa para voltar e não quero parar, pois saí da cadeira e hoje ando com minha bengala”. Leandro Walter, pai de duas crianças atendidas, expressa a emoção de ver seu filho aprender a caminhar no Cerepal, ressaltando o impacto positivo da instituição na vida familiar.
Representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) afirmaram que buscam trabalhar em conjunto para auxiliar a Cerepal. No entanto, a pressão por uma solução definitiva continua. A Cedecondh aprovou o envio de um pedido de providências à Prefeitura de Porto Alegre, solicitando a suspensão de medidas que possam levar ao encerramento dos contratos e buscando informações sobre alternativas para garantir o atendimento à população.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.
