Cepea: Empregos no agronegócio caem 1% no 1º tri de 2026, totalizando 27,79 milhões de postos
A queda de 1% nos empregos no agronegócio reflete um cenário desafiador, com setores como agroindústria e agroserviços enfrentando perdas significativas.
No primeiro trimestre de 2026, o número de empregos no agronegócio brasileiro caiu 1% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados nesta sexta – feira (21) pelo Cepea (Centro de Pesquisa em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
No total, o setor empregava 27,79 milhões de pessoas. Os pesquisadores atribuem essa queda a um movimento geral do mercado de trabalho que afetou todos os setores.
Além disso, a taxa de ocupação geral para o período ficou em 6,1%. Com esse recuo, o agronegócio passou a representar 25,73% da população ocupada, uma participação inferior à registrada no primeiro trimestre de 2025 (26,33%) e no último trimestre do ano passado (26,03%.
Setores do agronegócio e suas variações
Dentro dos diversos setores analisados no agronegócio, apenas o setor primário apresentou crescimento de 2,5%, com a criação de 189 mil novos postos nos primeiros três meses de 2026. Por outro lado, as quedas nos agroserviços foram significativas: -2,9%, resultando na perda de 307.994 trabalhadores; enquanto insumos tiveram uma redução de -1,2%, ou 3.756 postos.
Já o setor de agroindústria registrou uma diminuição de -3,1%, levando à eliminação de cerca de 148.527 empregos.
A retração nas contratações evidencia um cenário desafiador no campo. O Cepea também detalhou que houve um aumento no número de trabalhadores autônomos no agronegócio, que cresceu 1,8%, somando mais 120,2 mil postos. Contudo, os empregos sem carteira assinada diminuíram em 3,6% (147,4 mil pessoas), e os empregados formalmente registrados apresentaram uma queda de 1,2% (115,8 mil pessoas.
Tendências educacionais e demográficas
O estudo revela ainda que a queda no emprego foi mais acentuada entre os trabalhadores com ensino fundamental completo (-1,9%, ou 191,4 mil pessoas) e aqueles sem instrução (-1,4%, ou 16 mil pessoas). A diminuição entre os que possuem ensino médio completo foi de -1,1% (91,8 mil pessoas.
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Em contrapartida, o número de empregados com nível superior avançou em 1,6%, totalizando mais 72,9 mil postos.
No que diz respeito ao gênero dos trabalhadores no agronegócio, as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço. Apesar da retração total ter sido maior entre elas (-0,5%, ou cerca de 63,9 mil trabalhadoras), as demissões foram mais intensas entre os homens (-1,2%, aproximadamente 203,4 mil pessoas). “Embora ambos os grupos tenham registrado reduções na população ocupada nas duas bases comparativas, a queda foi menos intensa entre as mulheres”, destacam os pesquisadores.
A situação aponta para uma manutenção da tendência observada nos últimos anos: um aumento gradual da participação feminina na força de trabalho do agronegócio.