CEO da Vale alerta sobre “novo petróleo” nos minerais críticos

Os minerais críticos serão o “novo petróleo das próximas gerações”, afirmou Gustavo Pimenta nesta sexta – feira (28 de agosto de 2026), durante a realização do Fórum Lide de Mineração, em São Paulo.
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O CEO da [Empresa] alertou que os recursos são vitais para as futuras tecnologias globais e apontou um desafio preocupante: apesar imenso potencial mineral reservas brasileiras, o país estaria ficando aquém na corrida internacional por esses materiais estratégicos.
A oferta é o gargalo global dos metais
Para pautar sua fala no evento paulistano, ele destacou que aumentarão exponencialmente tanto a demanda quanto a necessidade desses minerais. Segundo Pimenta, fatores como inteligência artificial (IA), eletrificação de transportes e processos de descarbonização impulsionam esse consumo crescente em escala mundial.
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“Demanda é infinita”, declarou ainda Gustavo Pimenta ao público do Fórum Lide; “Nosso problema não está aqui: nosso desafio reside totalmente na capacidade da nossa cadeia produtiva para atender à alta procura por esses materiais.”
Comparativo com potências mineradoras mundiais
A dificuldade logística global foi reforçada pela citação de um estudo feito pela AIE (Agência Internacional de Energia). De acordo com o relatório, será necessário aumentar a oferta desses minerais críticos entre 5 e 6 vezes nos próximos vinte anos apenas para suprir as necessidades projetadas.
Para ilustrar como outras grandes economias estão avançando nesse setor, Pimenta comparou dados históricos do Brasil aos da Austrália. Ele mostrou que em 2010 os dois países produziam volumes similares: cerca de 380 milhões de toneladas no caso brasileiro contra aproximadamente 400 milhões na Austrália; contudo, quinze anos depois esse cenário havia mudado drasticamente.”
O atraso econômico frente ao potencial mineral
A análise dos números revelou uma perda considerável de espaço produtivo pelo país sul – americano. Enquanto a produção australiana saltou para perto de um bilhão de toneladas após o período citado — e este movimento foi replicado também com níquel e cobre —, o volume nacional permaneceu em torno de 400 milhões de toneladas.
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Além da comparação produtiva direta do minério de ferro, Pimenta apontou que contribuição geral desse setor na economia brasileira ainda está muito abaixo daquilo observado por outros grandes países exportadores; enquanto no Brasil ele representa apenas 4% do PIB, os dados mostram índices superiores como nos Estados Unidos (12%) ou Chile (14%.
O conhecimento mineral brasileiro. Um gargalo adicional levantado pelo CEO foi a baixa taxa de mapeamento geológico. Ele revelou que o potencial minerário conhecido em território nacional abrange somente cerca de 28%, um percentual significativamente menor se comparado à Austrália e ao Chile, onde esse índice ultrapassa consistentemente 70%.
Essa disparidade evidencia uma grande oportunidade para atrair investimentos.
“Os minerais críticos terão não apenas papel econômico crucial no futuro próximo; eles assumirão também um peso geopolítico muito importante nos próximos cem anos”, enfatizou Pimenta.”
Recomendação por licenciamentos mais ágeis
Para destravar essa riqueza mineral latente do Brasil, o executivo fez questão de defender mudanças na burocracia. Ele defendeu a implementação urgente de processos de licenciamento ambiental e operacional que sejam “rigorosos, porém mais célere”.
Segundo ele, é fundamental contar com maior uso da tecnologia e aumentar os profissionais atuantes em órgãos ambientais.
A melhoria no fluxo regulatório não só aceleraria projetos — já hoje levam cerca de 15 anos desde a exploração até iniciar as operações —, mas também traria um impacto financeiro gigantesco para o país inteiro.”
“Se conseguirmos destravar todo esse potencial mineral,” concluiu Pimenta ao citar estimativas do setor, “a arrecadação via royalties pode saltar dos R 74 bilhões acumulados nos últimos dez anos para atingir impressionantes R 130 bilhões na próxima década.
Além disso, essa expansão gerará mais dois milhões de empregos adicionais à cadeia produtiva que conta atualmente com três milhões de trabalhadores no Brasil”.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



