Casas Bahia revela prejuízo de R 3 bilhões em 2025 e confirma fechamento de 298 lojas

Casas Bahia enfrenta um cenário crítico com prejuízos acumulados e fechamento de lojas, enquanto busca reestruturar suas operações para enfrentar a crise.

Loja das Casas Bahia

A Casas Bahia divulgou neste domingo (16) seu balanço do segundo trimestre de 2026, após adiar a publicação duas vezes. Inicialmente marcada para 12 de agosto, a divulgação foi adiada para o dia 14 e novamente não ocorreu. Os resultados revelaram um prejuízo que aumentou 18 vezes em comparação ao mesmo período de 2025, quando as perdas foram em torno de R 555 milhões.

Além da queda nos resultados financeiros, a varejista enfrenta polêmicas relacionadas ao fechamento de 298 lojas, uma informação confirmada pela própria empresa em seus documentos financeiros. No total, a companhia registrou um prejuízo acumulado de R 3 bilhões ao longo de 2025, o que representa um aumento de 1.720% em relação ao ano anterior.

Desafios do ambiente econômico

Renato Franklin, presidente – executivo da Casas Bahia, destacou o ambiente macroeconômico como desafiador durante a divulgação do primeiro balanço. Para 2026, ele anunciou que a empresa adotará uma postura mais conservadora em relação à concessão de crédito e na relação com fornecedores.

A justificativa para os resultados negativos inclui um plano de redimensionamento das operações, que abrange o fechamento das lojas.

A companhia explica que o capital circulante negativo e as restrições de crédito exigem uma transformação estrutural. A fase 2 do plano de transformação foi apresentada como uma resposta necessária à crise enfrentada pelo setor. “Diante de um ambiente macroeconômico e de crédito mais desafiador, a companhia avança para a fase 2 do plano de transformação”, informou a empresa no balanço, mencionando impactos contábeis não recorrentes na ordem de R 9,1 bilhões.

Ao fechar as lojas deficitárias, a média do número de lojas restantes deve aumentar em 1,4 ponto percentual. A participação do carnê nas lojas remanescentes também deverá subir entre 5 e 6 pontos percentuais. O novo plano contempla ainda ajustes nos canais digitais, adequação dos estoques e capital de giro, além da redução estrutural de custos e despesas.

Reações dos trabalhadores

Após os anúncios sobre os fechamentos das lojas, o Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) expressou preocupação na sexta – feira (15). O sindicato afirmou que tomará medidas para proteger os direitos dos trabalhadores afetados pelos cortes.

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Luciano Pereira Leite, presidente da entidade, ressaltou que “os comerciários não podem arcar com prejuízos decorrentes de decisões empresariais tomadas sem o devido diálogo e transparência”.

Relatos recebidos pelo sindicato indicam que muitos funcionários foram pegos de surpresa com as notícias e aguardam informações sobre os procedimentos relacionados aos desligamentos. Eles esperam esclarecimentos sobre o pagamento das verbas rescisórias, liberação do FGTS e acesso ao seguro – desemprego.

A situação se agrava considerando que em abril de 2024 a Casas Bahia já havia solicitado recuperação judicial. O plano apresentado foi homologado pelo Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo após dois meses.