Casas Bahia pede recuperação judicial e busca reestruturação financeira após perdas significativas

Casas Bahia enfrenta um momento crítico ao buscar recuperação judicial, após perdas financeiras alarmantes que comprometem sua viabilidade operacional.

Consumidores conversam com funcionário da Casas Bahia em loja da rede em São Paulo

As Casas Bahia protagonizaram um dos principais assuntos do Brasil neste início de semana. No domingo (16), a varejista anunciou que havia protocolado um pedido de recuperação judicial para si e para as empresas vinculadas ao grupo. Esse recurso, previsto na Lei nº 11.101/2005, é utilizado por empresas em dificuldades financeiras para evitar a falência imediata e a liquidação de ativos.

A recuperação judicial permite que uma companhia apresente um plano de reestruturação a um juiz, que decidirá se aprova ou não a continuidade do processo. Após essa autorização, a empresa deve elaborar um plano de recuperação com prazos e condições de pagamento das dívidas, que precisa ser aprovado por mais de 60% dos credores.

Para solicitar essa medida, é necessário apresentar documentação comprobatória da situação financeira da empresa, um plano detalhado de recuperação e uma projeção do fluxo de caixa futuro.

Histórico recente da empresa

Além das Casas Bahia, outras grandes empresas já recorreram à recuperação judicial, como as aéreas Gol e Azul, que buscaram proteção sob o famoso Chapter 11 nos Estados Unidos. A varejista já havia enfrentado dificuldades anteriormente; em abril de 2024, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial devido a dívidas que totalizavam R 4,1 bilhões.

Este pedido foi acordado previamente com os principais credores, que detinham 54,5% dos débitos.

No entanto, mesmo após esse acordo inicial envolvendo várias séries de debêntures, a situação financeira da empresa não se estabilizou. Agora, dois anos e meio depois do primeiro acordo com os credores, ela precisa apresentar um novo plano de reestruturação ao judiciário para demonstrar sua viabilidade operacional.

O pedido recente chega em um momento crítico: as Casas Bahia registraram perdas significativas— 18 vezes maior do que no mesmo período do ano passado. Em meio às incertezas financeiras, a empresa já havia sinalizado que poderia precisar dessa recuperação judicial.

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Fechamentos de lojas e reações

A situação se agrava ainda mais com rumores sobre o fechamento iminente de até 298 lojas da companhia. Essa informação gerou preocupação entre os trabalhadores da varejista. O Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) manifestou seu descontentamento e afirmou que tomará as medidas necessárias para proteger os direitos dos funcionários afetados.

Luciano Pereira Leite, presidente do sindicato, ressaltou em nota que “os comerciários não podem arcar com prejuízos decorrentes de decisões empresariais tomadas sem o devido diálogo e transparência”. Funcionários relataram ao sindicato que foram pegos de surpresa pela notícia e aguardam informações sobre os procedimentos relacionados ao seguro – desemprego e outros direitos trabalhistas previstos na legislação.

A turbulência na empresa também teve reflexos nas ações na bolsa brasileira. Nos primeiros negócios do dia após o anúncio da recuperação judicial, as ações das Casas Bahia caíram para R 0,43.