Casas Bahia abandona ação contra BB por dívida milionária
Casas Bahia cede dívida milionária contra BB em acordo final, evitando prejuízo futuro para o grupo.
O processo judicial que envolvia o Grupo Casas Bahia e um débito milionário em conta bancária foi encerrado nesta sexta – feira, dia 28 de agosto de 2026. A varejista desistiu dos pedidos feitos contra o Banco do Brasil SA., buscando reverter os R 422 milhões debitados unilateralmente da empresa.
De acordo com documentos apresentados pela própria rede à Justiça de São Paulo (SP), uma tentativa formal por consenso entre as partes estava sendo negociada no momento do desfecho legal: “O Grupo Casas Bahia informa a desistência de todos os pedidos relacionados ao Banco do Brasil SA”, consta na petição que marcou o fim das ações judiciais naquele processo específico.
Desistência dos autos e decisão judicial
Em audiências realizadas perante a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, Juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira homologou oficialmente essa retirada total da ação movida pelo grupo contra o banco financeiro em questão. A juíza também indeferiu um pedido feito diretamente por parte do próprio Banco do Brasil para condenar Casas Bahia pela acusação de litigância de má – fé no decorrer do litígio.
A magistrada entendeu que não houve conduta desonesta ou abusiva; ela considerou que os representantes das empresas agiram corretamente ao corrigirem rapidamente qualquer erro antes mesmo que houvesse uma decisão final dos órgãos judiciários envolvidos na disputa judicial, afastando assim a penalidade pleiteada.
O contexto financeiro e o débito em questão
Os R 422 milhões debitados da conta corporativa surgiram após um pedido de recuperação judicial por parte do Grupo Casas Bahia. Segundo informações contidas nos documentos anexos à Justiça paulista, fornecedores como Apple e Mapfre Seguros acionaram garantias contratuais vinculadas pela varejista junto ao Banco do Brasil SA., que atuou nesse papel de fiador das obrigações comerciais.
As contas indicam a sequência: primeiro houve pagamento dos valores devidos pelos fundadores; posteriormente, teria ocorrido uma movimentação bancária onde o banco realizaria seu reembolso através do débito direto desses R 422 milhões nas contas da própria rede corporativa em processo de reestruturação financeira.
Contrapontos e questionamentos. O cenário gerou um embate legal acirrado entre as partes envolvidas. Enquanto Casas Bahia alegava que os débitos foram feitos para fins exclusivos de ressarcimento após pagamentos realizados pelo BB, a instituição nega veementemente essa afirmação na esfera judicial.
Leia também
Em resposta à petição inicial anexada pela varejista — onde havia sido divulgado o desconto dos R 422 milhões sob “lançamentos futuros”, datados em 21 de agosto —, Banco do Brasil apresentou extratos bancários cobrindo dias cruciais como 21 e até 24 de agosto, questionando exatamente aquela movimentação específica no sistema financeiro da rede comercial.
O banco confirmou apenas uma tentativa de débito que ocorreu dia 3 (em 25/08), mas esclareceu ainda que a transação foi estornada devido à falta momentânea de saldo.
Recuperações judiciais e cortes operacionais
A situação financeira complexa é o pano de fundo para todo esse processo legal em andamento desde meados do ano. Em um balanço divulgado referente ao segundo trimestre de 2026, os números apontaram prejuízos significativos: R 10,1 bilhões no período trimestral; acumulando uma perda total estimada de R 11,2 bilhões até aquele momento financeiro da empresa.
Foi por isso que foi protocolado pedido formal de recuperação judicial.
Para tentar reestruturar dívidas totais avaliadas em cerca de R 17,3 bilhões e dar seguimento à transformação necessária, a companhia iniciou medidas drásticas logo após o processo legal ser aberto na segunda fase do seu plano transformacional mais amplo.
Isso incluiu tanto um fechamento massivo — atingindo as portas de quase 300 lojas —, quanto novas rodadas severas nos cortes no quadro funcional dos colaboradores. Cerca de 1.900 trabalhadores tiveram seus vínculos empregatícios desligados entre os dias 13 e 17 de agosto; contudo, foi necessário acionar provisoriariamente a Justiça do Trabalho para suspender esses demissões.