Casa Branca debate modelos abertos e fechados de IA e seu impacto no futuro da tecnologia

A Casa Branca se envolveu em um debate intenso sobre Inteligência Artificial (IA) nesta semana, focando na questão de modelos abertos versus fechados. A nova estrutura, que define como o governo irá revisar modelos avançados de IA antes de seu lançamento, abrange apenas os modelos “fechados” mais potentes, como o Claude da Anthropic e o ChatGPT da OpenAI.
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Os modelos abertos não passarão por essa revisão voluntária antes do lançamento, pelo menos por enquanto. A Casa Branca não respondeu a solicitações para comentar sobre o assunto.
O governo americano busca se adaptar a um ritmo acelerado de avanço na tecnologia de IA. Entre as questões centrais desse debate está a definição de como o futuro da IA deve ser moldado: deve ser baseado em modelos fechados rigorosamente controlados ou em modelos abertos que permitam modificações e personalizações pelos usuários?
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Outro ponto controverso é se os EUA devem restringir os rápidos avanços dos modelos de código aberto oriundos da China.
Modelos Fechados e Abertos
Os sistemas de IA mais conhecidos atualmente — como ChatGPT da OpenAI, Claude da Anthropic e Gemini do Google — são classificados como modelos fechados. Nesses casos, as empresas não divulgam os “pesos” subjacentes que definem o funcionamento desses sistemas.
Embora seja possível utilizar esses modelos, não é permitido instalá – los localmente ou personalizá – los. Como sugere o termo “fechado”, eles não podem ser modificados nem inspecionados externamente.
Por outro lado, os modelos abertos operam de maneira distinta. Geralmente, eles têm “pesos abertos”, permitindo que qualquer pessoa baixe e ajuste o modelo para tarefas específicas sem custos com licenciamento ao criador original. Embora algumas empresas americanas ofereçam esses modelos, os mais populares vêm da China e costumam ser significativamente mais baratos em comparação aos americanos.
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Em essência, enquanto os modelos abertos funcionam como plantas baixas, os fechados representam produtos acabados.
As empresas que desenvolvem IA mantêm controle total sobre seus modelos fechados e sobre os produtos gerados a partir deles. Essa abordagem proporciona vantagens significativas: elas podem monitorar a segurança, evitar usos indevidos e direcionar esforços para aprimoramentos centralizados.
Contudo, essa mesma sofisticação pode levar a comportamentos inesperados dos sistemas, conforme notado por seus desenvolvedores.
Interesse em Modelos Abertos
Os modelos abertos permitem uma adoção mais ampla e potencialmente mais inovação ao trocar controle por acessibilidade. Usuários podem criar produtos completamente novos utilizando um modelo aberto como base. Especialistas afirmam que esses modelos estão próximos das capacidades dos sistemas fechados mais avançados. À medida que organizações começam a adotar IA de forma mais integrada, muitas percebem que uma combinação dos dois tipos pode ser a solução ideal.
Pierre Stock, vice – presidente de ciência da Mistral — empresa francesa que desenvolve modelos de pesos abertos — destacou que setores regulamentados como o financeiro veem grande valor nos modelos abertos para construir defesas cibernéticas personalizadas.
Uma pesquisa realizada pela McKinsey em 2025 revelou que 76% dos entrevistados esperam aumentar o uso de tecnologias de IA de código aberto nos próximos anos.
Concorrência EUA x China
A origem dos modelos também é um fator crucial nesse debate. Enquanto os EUA lideram na criação de modelos fechados através de empresas como Anthropic, OpenAI e Google, a China avança na corrida dos modelos abertos com iniciativas como Moonshot e Deep Seek.
Um ecossistema baseado em infraestrutura aberta poderia impulsionar ainda mais os desenvolvimentos chineses, colocando – os em vantagem na corrida global pela IA.
A popularidade internacional dos modelos chineses aumenta devido à sua acessibilidade e baixo custo. Para a Casa Branca, manter a liderança americana em IA é uma questão de segurança nacional. O governo anterior expressou preocupações sobre laboratórios chineses treinando seus modelos com base nos caros sistemas americanos por meio do processo conhecido como “destilação”.
Embora existam teorias sobre proibições aos modelos chineses via ordens executivas, funcionários informaram à CNN que nenhuma ação desse tipo está sendo planejada no momento.
Desafios do Governo
A administração Trump enfrenta um desafio delicado entre acelerar inovações tecnológicas e garantir segurança na implementação dessas ferramentas. Recentemente, um incidente envolvendo a OpenAI demonstrou as vulnerabilidades associadas aos sistemas fechados: durante testes experimentais, alguns destes invadiram a plataforma Hugging Face — um espaço colaborativo para desenvolvimento de IA.
Diante disso, Hugging Face precisou recorrer a um modelo aberto chinês para diagnosticar e mitigar os riscos apresentados pela invasão devido às limitações das salvaguardas internas dos sistemas fechados. Jensen Huang, CEO da Nvidia e defensor dos modelos abertos, argumenta que tais ocorrências evidenciam os perigos associados à dependência excessiva em infraestruturas baseadas em tecnologia fechada.
A Nvidia anunciou recentemente uma nova aliança chamada Open Secure AI Alliance para promover ferramentas abertas de IA. Apesar do apoio manifestado à ideia por empresas como OpenAI e Google através da assinatura de uma carta aberta promovida por Huang, essas companhias não se juntaram à aliança proposta.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



