Mensagens apreendidas pela Polícia Federal revelam uma intensa troca de informações entre o banqueiro Carlos Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos principais nomes envolvidos na investigação. Os diálogos, divulgados pelo jornal, surgem em um contexto de crescente tensão, com Vorcaro expressando preocupação com reportagens consideradas prejudiciais à sua imagem e ameaçando ações legais contra o site de esquerda DCM.
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A situação se agravou após a tentativa de suicídio de Mourão, ocorrida na quarta-feira, 4 de março de 2026, dentro da sede da PF em Minas Gerais. As trocas de WhatsApp indicam que Vorcaro temia que o DCM se tornasse alvo de medidas judiciais, culminando em uma ameaça de “fechar esse site”.
A dinâmica entre o grupo ligado ao Banco Master e o portal era marcada por acusações e tensões, com Vorcaro expressando frustração com a postura do site e a necessidade de “ir atrás” dos responsáveis.
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Operacionalidade e Monitoramento da Reputação
Investigações detalhadas apontam que Mourão atuava como operador, responsável por gerenciar a reputação de Vorcaro e do banco na internet. Ele coordenava um grupo informal, conhecido como “A Turma”, que se dedicava ao monitoramento de pessoas e à coleta de informações sensíveis para os interesses do grupo investigado.
Em uma conversa, Mourão relatou ter tentado negociar com o DCM, mas que o site exigia um valor superior ao oferecido.
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Segundo o documento, Mourão recebia aproximadamente R$ 1 milhão por mês para executar serviços de monitoramento, obtenção de informações e ações de intimidação contra críticos do grupo. A estrutura investigada incluía o monitoramento de jornalistas e adversários de Vorcaro, além da tentativa de remover conteúdos negativos na internet.
A complexidade da situação foi evidenciada pela atuação do ministro do STF André Mendonça, que autorizou medidas cautelares contra os investigados, descrevendo a estrutura que cercava Vorcaro.
Detalhes Financeiros e Ações de Intimidação
As mensagens revelam também a divisão de recursos recebidos mensalmente para financiar as atividades do grupo. Além dos integrantes da “Turma”, o valor era repartido entre o DCM e dois editores. Vorcaro também mencionava a possibilidade de acionar autoridades policiais contra veículos ou autores de reportagens que considerava prejudiciais à sua imagem.
A morte de Mourão, poucos dias após a deflagração das medidas judiciais, ressalta a gravidade da situação e o papel central que ele desempenhava nas investigações sobre o Banco Master e suas estratégias de reação a reportagens e críticas públicas.
