Carlos Magno detalha imersão na Caatinga em evento climático

Carlos Magno promove imersão na Caatinga para fortalecer soluções climáticas com base no território e saberes locais em evento de destaque nacional.

Cartaz da Caatinga Climate Week

A Caatinga Climate Week está em sua segunda edição e coloca o bioma do Semiárido brasileiro no centro das discussões climáticas nacionais durante os dias de 1º a 3 de julho.

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O evento busca ampliar significativamente a visibilidade da região, fortalecendo um intercâmbio crucial entre diversas partes interessadas — incluindo comunidades locais, pesquisadores acadêmicos, gestores públicos municipais e estaduais, organizações não governamentais e movimentos populares.

Além disso, ele tem como objetivo evidenciar soluções que são construídas diretamente com base nos saberes tradicionais dessas populações

A imersão territorial na Caatinga

Em entrevista concedida ao programa É de Manhã, veiculado pela Rádio Brasil de Fato, Carlos Magno, coordenador do Centro Sabiá, explicou o conceito por trás da iniciativa.

Segundo Magno, embora a ideia tenha sido inspirada em semanas climáticas realizadas globalmente, há uma diferença fundamental: esta edição prioriza promover um mergulho profundo no território caatingueano. Ele argumentou publicamente contra modelos internacionais que ele considera distantes dos contextos locais e focados apenas em painéis teóricos com especialistas vindos do Norte Global

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O coração é vivenciar. Para garantir essa imersão real na realidade local afetada pelas mudanças climáticas, os participantes saem de Recife para viver experiências intensas até retornar somente no dia 4. Assim, o grupo passa cerca de dois dias totalmente absorvido pela dinâmica territorial.

Essa experiência não se restringe a uma única área; ela envolve diferentes grupos sociais da região semiárida: povos indígenas tradicionais, assentamentos ligados à reforma agrária, comunidades quilombolas históricas e manifestações ricas das culturas populares locais.

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A cultura como elemento central do conhecimento

Magno enfatizou que entender verdadeiramente um bioma complexo exige ir além dos aspectos puramente ambientais ou econômicos.

Para ele, compreender Caatinga implica necessariamente abordar seus pilares culturais

“É fundamental reconhecer que o modo de lidar com esse território específico — em relação ao clima—, faz parte desse vastíssimo corpo de conhecimentos acumulados,” ressaltou Magno sobre a dimensão cultural da imersão no evento. Essa perspectiva é crucial para desconstruir visões simplistas e históricas associadas à região semiárida.

Mudando narrativas: do problema à solução

O coordenador também abordou como grande parcela da população ainda carrega estigmas antigos relacionados aos moradores dessa área. Ele apontou uma narrativa histórica única, na qual Caatinga foi constantemente atrelada apenas à pobreza extrema, às secas severíssimas ou simplesmente ao sofrimento humano

“Há muita responsabilidade por parte de toda mídia hegemônica que construiu essa história durante anos,” defendeu Magno em sua fala. A missão atual da CCW é justamente reverter esse quadro e colocar o bioma no centro das discussões climáticas a partir dos seus pontos fortes.

Em vez de focar nos problemas — algo sobre o qual os outros já passaram décadas falando —, ele argumentou ser hora de falar abertamente sobre criatividade. O foco deve estar na inovação local, nas estratégias para geração de renda digna e também valorizar as comunidades onde essas populações vivem hoje

Para quem deseja acompanhar mais detalhes do evento ou ouvir outras análises como esta matéria foi veiculada em É de Manhã da Rádio Brasil de Fato durante todo período compreendido entre segunda – feira e sexta – feira pela manhã às 07 horas.