Cargill interrompe exportações de soja do Brasil para a China devido a novas inspeções fitossanitárias. Entenda as consequências dessa decisão impactante!
A Cargill interrompeu suas operações de exportação de soja do Brasil para a China em decorrência de alterações nas inspeções fitossanitárias implementadas pelo governo brasileiro. A informação foi confirmada por Paulo Sousa, presidente da empresa no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, em entrevista à Reuters nesta quarta-feira (11).
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Segundo Sousa, o Ministério da Agricultura do Brasil estabeleceu novas diretrizes para a soja destinada à China, a pedido do governo chinês. Essa nova fiscalização tem dificultado o cumprimento das normas pelos comerciantes e a obtenção das autorizações necessárias para o embarque do produto.
Ele destacou que o novo sistema é incomum no mercado de grãos.
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Diante desse cenário, a Cargill, uma das principais exportadoras de soja do Brasil, também suspendeu a compra do grão no mercado interno devido às dificuldades em enviá-lo ao maior importador global da oleaginosa. “Isso representa um grande risco para o fluxo de exportações para a China”, afirmou Sousa durante a Argentina Week 2026, conferência promovida pelo Bank of America em Nova York.
O executivo explicou que, em vez de utilizar uma amostra padrão para a inspeção, o ministério está realizando sua própria amostragem, o que tem gerado discrepâncias. “Essas discrepâncias estão fazendo com que, em alguns casos, os certificados fitossanitários emitidos pelo ministério não sejam fornecidos”, acrescentou.
Sem esses certificados, os navios não conseguem descarregar na China.
Essa situação tem forçado alguns navios, que tinham a China como destino, a serem redirecionados para outros locais. Sousa alertou que, se a situação não for resolvida rapidamente, pode haver uma paralisação dos embarques para a China. Ele mencionou que a Cargill suspendeu suas operações na última sexta-feira.
O ministro da Agricultura está avaliando a situação com as entidades representativas dos exportadores e processadores, a Anec e a Abiove, buscando um consenso sobre a forma adequada de realizar a amostragem e a classificação da soja. Postagens no X, feitas por corretores de grãos e agricultores brasileiros, indicaram que houve uma queda significativa nos lances para a compra de soja local.
A China é o principal cliente da soja brasileira, respondendo por cerca de 80% das exportações do grão. O Brasil se destaca como o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa. As novas inspeções começaram no início da semana passada e, embora haja negociações em andamento, ainda não foi encontrada uma solução.
O Ministério da Agricultura do Brasil não se manifestou sobre o assunto até a noite de quarta-feira. A Anec expressou preocupações em nota, destacando a dificuldade que os exportadores enfrentarão para se adequar ao novo sistema de inspeção, especialmente durante o pico das exportações de soja.
A associação continua em diálogo com o ministério para acompanhar a evolução da situação.
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Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.