Cargill em crise no Pará! Terminal de Santarém bloqueado por indígenas em meio a tensão. Acesso restrito e caos no local após ocupação. Saiba mais!
Em 25 de fevereiro de 2026, o diretor de Portos e Transportes Fluviais da América Latina detalhou a complexa situação no terminal de Santarém (PA), onde a empresa ainda não conseguiu retomar o controle total após a ocupação por povos indígenas.
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O protesto se originou em resposta ao decreto presidencial que abriu caminho para a possível privatização de rios da região amazônica, incluindo o Tapajós.
Até a manhã de 20 de fevereiro, mesmo com a presença de manifestantes, o acesso ao terminal permanecia restrito. Câmeras de monitoramento, crucial para o controle da unidade, haviam sido destruídas durante a ocupação, gerando incertezas sobre a situação interna.
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A equipe da Cargill aguardava o apoio de órgãos de segurança, como a Polícia Federal, Polícia Militar e Guarda Portuária, para realizar o acesso e avaliar a segurança do local.
O diretor relatou que a mobilização dos manifestantes, impulsionada pelas redes sociais, se organizou rapidamente, estabelecendo um acampamento no portão de acesso. Tentativas de diálogo com o Ministério Público Federal não foram efetivas, com os indígenas expressando a necessidade de apoio da empresa, que se tornou impossível devido ao bloqueio total do acesso aos caminhões.
A paralisação se justificava pela consideração do decreto como legítimo, buscando pressionar o governo.
Em 21 de fevereiro, a empresa interrompeu o fornecimento de energia como medida preventiva, diante de indícios de tentativas de acesso indevido aos sistemas internos. A unidade, integrada à rede corporativa e com alto nível de automação, apresentava risco de comprometimento dos sistemas operacionais e de ataque cibernético.
Para proteger a integridade dos dados e equipamentos, a empresa optou por seccionar o fornecimento de energia e isolar o terminal até a realização de uma vistoria técnica completa.
Em um momento crítico, 10 a 15 indivíduos encapuzados, armados com paus, arcos e flechas, invadiram a área, causando danos significativos ao patrimônio e destruindo câmeras de segurança. As 43 pessoas presentes no terminal saíram por volta das 3h, com apoio da Guarda Portuária.
Após a invasão, portões foram abertos e o prédio administrativo foi ocupado, dificultando a negociação. Diante da situação, a Cargill elevou o nível de segurança para o nível 2, mas não recebeu suporte efetivo no momento da invasão.
O impasse envolvendo a inclusão da Hidrovia do Rio Tapajós no Programa Nacional de Desenvolvimento (PND) gerou tensões entre o governo federal, os indígenas e a Cargill. O decreto, assinado em agosto de 2025 por Lula, permitiu a realização de estudos para a possível concessão de serviços de navegabilidade, mas foi criticado pelos indígenas, que temiam o uso intensivo do rio para o escoamento de commodities e o impacto em seu modo de vida.
A situação foi amplificada pela realização de uma conferência em novembro de 2025, onde indígenas de diversas etnias se manifestaram contra o decreto, bloqueando a entrada principal da conferência.
O Ministério de Portos e Aeroportos sinalizou a intenção de buscar soluções para as complicações causadas pelos atos dos indígenas, reunindo-se com autoridades para debater maneiras de resolver a situação. A Advocacia-Geral da União (AGU) foi acionada para que decisões judiciais fossem tomadas para desobstruir os ativos da Cargill e garantir a segurança dos funcionários.
A empresa aguarda a chegada de uma equipe com apoio de órgãos de segurança para realizar uma perícia e avaliar os danos no terminal.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.