Medicamentos para Emagrecimento: Entre a Promessa e os Riscos
A popularidade das canetas para emagrecimento no Brasil tem crescido, impulsionada por promessas de resultados rápidos e uma forte presença nas redes sociais. No entanto, essa tendência esconde os potenciais efeitos colaterais do uso indiscriminado do medicamento, transformando-o em algo quase “milagroso”.
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Fernanda Scagliusi, nutricionista e professora da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que, embora essas tecnologias tenham indicação clínica para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, com evidências de perda de peso e melhorias metabólicas, o uso deve ser sempre supervisionado por um médico.
A Pressão da Sociedade e a Gordofobia
O problema, segundo Scagliusi, reside no desvio dessa indicação. Em uma sociedade que frequentemente critica a gordura e a falta de magreza, a pressão estética pela emagrecimento é ainda maior para as mulheres. Muitas pessoas que buscam esses medicamentos não possuem indicação clínica, mas são motivadas por uma “gordofobia” estrutural, um sistema de violência contra pessoas com sobrepeso, exacerbado pela influência das redes sociais e profissionais de saúde.
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Um Sistema Problemático
A nutricionista critica o sistema capitalista, que vende alimentos de má qualidade a baixo custo, enquanto alimentos saudáveis são caros e inacessíveis. Esse mesmo sistema incentiva o consumo excessivo e, paradoxalmente, a busca por emagrecimento.
A indústria alimentícia e farmacêutica lucram com essa situação, prejudicando a saúde da população, que se submete à “medicalização do corpo saudável” para atender padrões ideais de beleza.
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Riscos e Efeitos Colaterais
Scagliusi alerta para os perigos do uso indiscriminado, destacando a diferença entre os efeitos colaterais dos estudos clínicos, realizados com substâncias aprovadas pela Anvisa, e os riscos do mercado desregulamentado, com farmácias de manipulação e vendas online de produtos com procedência e pureza desconhecidas.
Mesmo os efeitos considerados “moderados” podem ser devastadores, como náuseas, vômitos, tonturas e fadiga, que impactam significativamente a vida das pessoas.
A Importância da Experiência Real
A nutricionista conclui com uma reflexão sobre a necessidade de ponderar os resultados dos estudos clínicos com a vivência real das pessoas. “É muito importante ouvir o que as pessoas têm a dizer sobre sua experiência com esses medicamentos. O que os estudos chamam de ‘moderado’ pode ser absolutamente devastador na vida de alguém”, enfatiza.
