Camila Scudeler apresenta “Iara – A Dialética” nos palcos paulistanos

Camila Scudeler resgata trajetória política de Iara Iavelberg com peça sobre mito e resistência nos palcos paulistanos em 2026.

26/06/2026 17:48

4 min

A atriz Camila Scudeler em cena com o espetáculo “Iara – A Dialética do Mito”
A atriz Camila Scudeler em cena com o espetáculo “Iara – A Dialé...

O espetáculo “Iara – A Dialética do Mito”, inspirado na vida e trajetória da psicóloga Iara Iavelberg— militante brutalmente assassinada no Brasil em 1971 —, faz sua primeira temporada após mais de uma década fora, chegando aos palcos paulistanos neste fim de semana.

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As apresentações ocorrem nesta sexta – feira (28) ou domingo (28), respectivamente, na Casa Teatro de Utopias, localizada na Lapa, zona oeste da capital. O público terá a oportunidade não só assistir à peça, mas também participar de debates que se seguem ao encerramento das sessões.

O foco feminino nas narrativas políticas

A obra dialoga livre e diretamente com o histórico político brasileiro sem cair em reconstruções biográficas tradicionais sobre Iara. Em cena, por exemplo, Camila Scudeler assume diferentes personagens femininas para refletir profundamente tanto seu protagonismo quanto os casos históricos daqueles cujas histórias foram apagadas do discurso oficial.

“Nossa preocupação sempre foi falar dela [Iara]. Meu companheiro nem é muito mencionado porque nosso ponto focal está exatamente nesse outro lugar: essa mulher, essa história”, explica a atriz durante as entrevistas de divulgação da peça. Camila também destaca que “as sessões de tortura tinham um recorte de gênero”.

Dessa forma, além de lutar contra o regime militar na época, essas mulheres ainda precisaram romper com estereótipos considerados normais no período histórico em questão.

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A militância e assassinato de Iara

Psicóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP), Iara iniciou sua participação ativa nos movimentos políticos após os acontecimentos do golpe civil – militar ocorrido em 1964. Ela passou por diversas organizações políticas ao longo dos anos: integrou a Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop) e também esteve ligada à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR.

Mais tarde, fez parte da VAR – Palmares até chegar o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8.

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Foi no MR-8 que ela se juntou seu companheiro político, Carlos Lamarca. O casal teve um encontro marcado para abril de 1969 — apenas dois meses após uma deserção militar do Exército Brasileiro —, passando então a ser listado pela ditadura como figuras altamente procuradas em todo território nacional.

O crime e sua ressignificação

Em agosto de 1971, Iara foi cercada por forças militares na região de Salvador, Bahia. Embora o regime tenha divulgado publicamente informações sobre suicídio da militante paulista, investigações posteriores comprovaram que ela havia sido assassinada.

A responsabilidade oficial pelo ocorrido só seria reconhecida tardiamente: no ano de 2004, o próprio Estado brasileiro assumiu a culpa pela morte dela. A obra “Iara – A Dialética do Mito” chegou à capital em um contexto político muito diferente daqueles vistos desde seu início.

“Quando estreou era tudo antes [do governo] Bolsonaro; ainda estava durante o mandato Dilma Rousseff”, reflete Camila Scudeler ao longo dos últimos anos e das mudanças políticas brasileiras. Ela pontua como é interessante acompanhar cada vez mais esse espetáculo dialogar com diferentes contextos sociais.

A peça já teve passagens internacionais por Colômbia (em 2014), Cuba e Estados Unidos, influenciando diretamente a construção da narrativa para públicos diversos que falam português, espanhol ou inglês.”

O desafio do desconhecer.“Muitas pessoas conhecem as ditaduras de Chile [e] Argentina no exterior, mas nunca ouviram falar sobre o período brasileiro”, conta Scudeler em relação ao público estrangeiro. Ela aponta ainda um paradoxo interno: “No próprio Brasil há muita gente que não conhece esse tempo histórico; é até absurdo ver hoje ter quem peça pela volta dessa era”.

Esse trabalho artístico se torna uma ferramenta essencial contra essa falta histórica.

Para finalizar a experiência cultural com os paulistanos interessados na memória política e nos direitos humanos, haverá sessões seguidas por debates abertos para todo o público presente. O espetáculo está disponível nas datas de 27 e 28 de junho (ajustar data conforme fonte), às 18h no Casa Teatro de Utopias – Rua Duílio, número 46, Lapa.

Os ingressos custam R 50 inteira ou meia – entrada em R 25.”

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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