Funcionários públicos, autoridades e pais de alunos de creches e escolas em Cambuí, Sul de Minas, estão levantando o volume sobre a prefeitura, sob a gestão da secretária Cinthia Pereira (Novo), devido a graves denúncias de distribuição de alimentos estragados às crianças em toda a rede municipal de ensino.
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Os relatos, obtidos pelo Brasil de Fato MG, revelam um cenário preocupante de precarização da merenda escolar, com possíveis negligências sanitárias e pressões institucionais sobre as trabalhadoras responsáveis pelo preparo das refeições.
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Servidoras que preferem permanecer anônimas, por receio de represálias, descrevem situações alarmantes. Elas afirmam que são “obrigadas” a preparar alimentos impróprios para consumo, como carne vencida, arroz com insetos, feijão com caruncho e legumes e verduras deteriorados.
A situação, segundo elas, não é apenas pontual, mas recorrente em diversas unidades escolares. Uma das funcionárias dos Centros de Educação Infantil Municipal (CEIMs) relatou que os alimentos já chegam estragados por parte do fornecedor, enquanto outra trabalhadora recebeu orientação da nutricionista técnica da prefeitura para “lavar bem a carne e pôr vinagre”, sob a justificativa de que “criança não conhece carne estragada”.
A preocupação se estende aos pais e responsáveis, que relatam a ocorrência de sintomas em seus filhos após consumirem a merenda escolar, como febre, vômitos e dores abdominais. Uma mãe relatou que seus filhos apresentam sintomas desde o início do mês, incluindo febre de 39 graus.
Outras mães descreveram o cheiro e o gosto inadequados da carne, enquanto uma responsável afirmou que seu filho de quatro anos não foi à creche devido à febre e dor de barriga. A imagem compartilhada por uma mãe ilustra a persistência do problema, com relatos de ocorrências há mais de duas semanas.
Diante da repercussão das denúncias, vereadores Rodrigo Big (PDT) e Donizete (PRD) realizaram uma fiscalização nas unidades escolares, confirmando a generalização do problema. Eles identificaram alimentos em condições precárias, como arroz com bicho, feijão escuro e com caruncho, frutas estragadas e uma série de reclamações.
Além disso, os parlamentares identificaram problemas estruturais nas escolas, como pisos irregulares, paredes sem manutenção e presença de mofo, fatores que também comprometem a saúde e o bem-estar dos estudantes.
A secretária de Educação, Benita Maria de Almeida Teixeira, afirmou que a prefeitura identificou irregularidades em um lote de alimentos fornecidos por empresa terceirizada. A nutricionista técnica solicitou o cancelamento do contrato e a convocação da segunda colocada no processo licitatório.
Apesar disso, a gestão municipal sustenta que não houve consumo de alimentos impróprios e não há registros de alunos afetados, alegando que a fiscalização sanitária atuou antes da distribuição. No entanto, a versão da prefeitura é contestada por vereadores e pela própria comunidade escolar.
A situação expõe um grave risco à saúde das crianças e levanta questionamentos sobre a gestão da merenda escolar em Cambuí. A necessidade de uma investigação completa e transparente, com medidas urgentes para garantir a segurança alimentar dos estudantes, é evidente.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.
