Câmara dos Deputados aprova fim da escala 6×1 e impacto econômico pode chegar a R$ 156 bilhões

A proposta de fim da escala de trabalho 6×1, recentemente aprovada pela Câmara dos Deputados, pode acarretar um impacto econômico de até R$ 156 bilhões no Brasil. Essa avaliação foi feita por Karina Negreli, assessora jurídica da FecomercioSP, que enfatiza a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a mudança e os possíveis efeitos adversos de sua implementação abrupta.
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Impacto nas Finanças das Empresas
De acordo com Negreli, a medida resultaria em um aumento imediato próximo a 20% na folha salarial das empresas. Ela observa que, em negociações salariais, os reajustes geralmente acompanham a inflação, e os ganhos reais costumam ficar entre 1% e 3%.
Nesse cenário, um aumento dessa magnitude, somado aos encargos trabalhistas já existentes, poderia pressionar de forma significativa as margens das empresas. Esse efeito seria particularmente preocupante para micro e pequenas empresas, que são responsáveis pela maior parte dos empregos no país.
A assessora jurídica também questionou a ideia de que a redução da jornada de trabalho levaria automaticamente ao aumento da produtividade. Segundo ela, esse indicador é influenciado por uma variedade de fatores, incluindo investimentos, infraestrutura adequada, qualificação da mão de obra e a adoção de novas tecnologias nos processos produtivos. “A produtividade é um fenômeno multifatorial e envolve custos que vão além da simples diminuição das horas trabalhadas”, afirmou.
Riscos Associados à Mudança
Na perspectiva de Negreli, o aumento nos custos trabalhistas pode resultar em demissões e na redução de contratações. Em casos mais extremos, isso poderia levar ao fechamento de empresas com menor capacidade de suportar despesas adicionais. Além disso, há o risco de que esses custos sejam repassados aos preços finais dos produtos e serviços, o que poderia pressionar ainda mais a inflação e afetar o poder aquisitivo dos consumidores.
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Embora a FecomercioSP não se posicione contra mudanças na jornada laboral, a entidade defende que qualquer alteração ocorra de maneira gradual. Isso deve ser feito por meio de negociações coletivas que respeitem as especificidades de cada setor.
Negreli citou dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), indicando que a jornada média atual já é inferior ao limite constitucional, com 38,4 horas semanais.
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A especialista também rejeitou a ideia de aumentar a contratação de microempreendedores individuais (MEIs) como uma solução para mitigar os impactos dessa proposta. Para ela, os desafios enfrentados pela competitividade das empresas brasileiras exigem políticas estruturais abrangentes.
A FecomercioSP tem participado ativamente das audiências públicas na Câmara dos Deputados e planeja reiniciar o diálogo com os parlamentares durante o trâmite da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



