Calor Extremo e Saúde Mental: Como as Altas Temperaturas Afetam Nosso Comportamento e Emoções

O calor extremo no Brasil impacta a saúde mental, aumentando ansiedade e irritabilidade. Especialistas alertam para a urgência de medidas de adaptação

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(Imagem de reprodução da internet).

Impacto das Condições Climáticas na Saúde Mental

As discussões sobre as condições climáticas, além de suas implicações ambientais, estão ganhando destaque no debate sobre saúde mental. A relação entre dias frios e melancolia é um conceito antigo, mas as recentes ondas de calor no Brasil mostram que as altas temperaturas geram efeitos que vão além do desconforto físico.

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Estudos recentes indicam que o calor interfere diretamente no comportamento humano, afetando o humor, a concentração, o sono e as reações emocionais diante dos desafios diários. Uma pesquisa publicada em 2025 na revista Frontiers in Public Health analisou mais de uma década de dados de comportamento digital em grandes cidades e revelou um padrão preocupante: a cada aumento de 1 °C na temperatura média diária, houve um aumento significativo nas buscas online por termos relacionados a ansiedade, irritabilidade, solidão e tristeza.

Termômetro Emocional e Estresse

Os pesquisadores consideram esses dados como um “termômetro emocional” coletivo, que reflete mudanças profundas no estado psicológico da população durante períodos de calor intenso. A psicóloga comportamental Daniela Faertes explica que o calor atua como um estressor contínuo, dificultando a autorregulação emocional.

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Quando o corpo se adapta ao calor, há menos energia psíquica disponível para lidar com frustrações e demandas do dia a dia, resultando em mais irritabilidade e reações emocionais desproporcionais.

Esse desgaste emocional é corroborado por uma revisão científica publicada em 2025 na The Lancet Planetary Health, que associou o calor extremo ao aumento do estresse psicológico. O sono desempenha um papel crucial nesse contexto, pois a falta de descanso devido às altas temperaturas noturnas reduz a tolerância ao estresse e aumenta a reatividade emocional.

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Desigualdades Sociais e Esgotamento Coletivo

O fenômeno é ainda mais acentuado nas grandes cidades, onde as ilhas de calor intensificam o desconforto térmico e os conflitos interpessoais. Além dos impactos biológicos e psicológicos, essa situação revela desigualdades sociais significativas.

Aqueles que dependem de transporte público lotado, trabalham ao ar livre ou vivem em moradias sem ventilação adequada enfrentam níveis de estresse muito mais altos.

Especialistas alertam para a necessidade urgente de incluir esses efeitos comportamentais no debate público. “O calor não é apenas um incômodo passageiro, mas um fator que afeta a saúde mental coletiva, alterando nossa forma de pensar, sentir e reagir”, conclui Daniela Faertes.

Custo Invisível à Saúde

Segundo Niklas Söderberg, médico clínico do Hospital Ipiranga, gerido pelo Einstein, o calor extremo impõe um custo invisível, mas severo, ao funcionamento do corpo humano. “Quando a temperatura se mantém elevada, o corpo precisa trabalhar mais para se resfriar, aumentando o desgaste físico e mental”, explica o médico.

Fenômeno das Noites Tropicais

Um dos pontos críticos destacados pelo Dr. Söderberg é a dificuldade de recuperação do organismo durante o repouso. O fenômeno das “noites tropicais”, onde as temperaturas não caem o suficiente, tem afetado diretamente a qualidade do sono e, consequentemente, o comportamento social. “As altas temperaturas prejudicam o sono, a capacidade de trabalho e a saúde mental, fatores que estão diretamente ligados ao controle emocional”, afirma.

Ele ressalta que a falta de descanso favorece a irritabilidade, a diminuição da concentração e a reatividade emocional. O impacto já é sentido na economia e nos sistemas de saúde, com as ameaças climáticas sobrecarregando hospitais e aumentando o absenteísmo nas empresas.

Medidas de Adaptação

Para mitigar esses danos, o especialista defende que o setor corporativo e o planejamento urbano adotem medidas de adaptação imediatas, como:

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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