Caiado reacende debate sobre o Centrão em 2026! Candidatura de Perillo causa impacto e expõe a busca por espaço no campo bolsonarista. Será que o ex-governador tem chances de surpreender?
A oficialização da candidatura do ex-governador Marconi Perillo, pelo PSD, na segunda-feira (30/03), reacendeu o debate sobre o papel do centrão nas eleições presidenciais de 2026. A movimentação demonstra a lógica de sobrevivência do bloco fisiológico, mais do que uma disputa real pelo Palácio do Planalto, segundo o cientista político Rudá Ricci.
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Ricci destaca que a candidatura de Caiado cumpre duas funções principais. A primeira é tentar ocupar um espaço no campo bolsonarista, que se divide entre lideranças como o ex-senador José Serra e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Riedel.
A segunda é fortalecer a direita no Centro-Oeste, região onde Caiado tem sua base eleitoral. No entanto, o cientista político ressalta o histórico do governador goiano em disputas presidenciais.
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Caiado já foi candidato a presidente em 1989, obtendo apenas 0,67% dos votos totais, o que equivale a menos de 1%. Mesmo tendo sido presidente da União Democrática Ruralista (UDR), de extrema direita, e com uma liderança forte junto ao agronegócio, ele não obteve um apoio significativo.
A tentativa atual visa principalmente vender o apoio para o segundo turno.
Rudá Ricci descreve o centrão brasileiro como um grupo que se vincula à tradição da Arena, o partido governista da ditadura militar, com ligações a perseguições políticas, assassinatos e uso de recursos estatais em atos de tortura. Ele também identifica um “baixo clero clientelista”, que busca dinheiro para sua base eleitoral e se reeleger.
Esses deputados raramente aparecem na televisão e não possuem grande expressão pública, mas exercem considerável peso nos municípios brasileiros.
Ricci acredita que o centrão irá rachar, com pouca adesão à candidatura de Caiado. Uma parte se inclinará para a extrema direita, por conta da tradição da Arena, enquanto outra se voltará para o apoio a Lula, uma decisão pragmática que se baseará na percepção de que o ex-presidente pode se reeleger.
A medida que o apoio a Lula se fortalecer, as negociações se intensificarão.
O cientista político identifica um padrão nas movimentações da direita para 2026 que se assemelha ao que ocorreu nas eleições de 1989, a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar. Muitos candidatos de direita surgiram, acreditando que o apoio automático seria garantido no segundo turno.
No entanto, essa estratégia não funcionou.
Rudá Ricci avalia duramente a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro gravou um vídeo em que afirmava que faria um vídeo para o pai, o que pode ter violado as condições da prisão domiciliar de Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes já iniciou as investigações sobre a origem do vídeo.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, fez um discurso sobre a importância do Brasil para os Estados Unidos, o que foi criticado como um entreguismo. Ricci considera os irmãos Bolsonaro despreparados e incapazes de ter habilidade política, e os acusa de cometerem erros graves, tanto políticos quanto jurídicos.
Rudá Ricci acredita que a sorte do campo progressista reside no fato de que a campanha ainda não começou e que as eleições estão distantes. Ele ressalta que é difícil prever o resultado das eleições, pois o cenário brasileiro é complexo e cheio de incertezas.
Autor(a):
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.