Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia se apresentam como Doces Bárbaros em 1976
A apresentação histórica no Anhembi marcou a união de quatro ícones da música brasileira, desafiando preconceitos e influenciando a cultura nacional
No dia 24 de junho de 1976, o Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, foi palco de um evento marcante na música popular brasileira. Os artistas Caetano Veloso,Gal Costa,Gilberto Gil e Maria Bethânia se apresentaram como o grupo Doces Bárbaros.
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A turnê que uniu esses quatro ícones resultou em um álbum duplo que capturou a essência inovadora da época. O nome do grupo surgiu como uma crítica ao preconceito enfrentado pelos artistas baianos, frequentemente rotulados pela imprensa carioca e paulistana.
Contexto Histórico e Musical
Durante os anos 1970, a presença de músicos da Bahia na cena cultural do Sudeste era vista com desconfiança por parte de alguns veículos de comunicação. O jornal “O Pasquim” referia-se a eles de forma depreciativa como “os baianos”, insinuando uma suposta invasão à elite cultural das capitais.
Em resposta a essa atitude discriminatória, os integrantes do grupo adotaram o termo como uma forma de ironizar e desafiar as normas estabelecidas, incorporando elementos visuais e sonoros ousados às suas performances.
O primeiro espetáculo da turnê teve produção de Guilherme Araújo e Perinho Albuquerque, com direção geral de Caetano Veloso e direção musical de Gilberto Gil. Ambos já haviam construído um repertório influenciado pela Tropicália nos anos 1960, movimento que mesclava tradições culturais nordestinas com rock’n’roll e psicodelia, desafiando o conservadorismo imposto pela Ditadura Militar vigente.
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O Álbum “Doces Bárbaros”
A apresentação em São Paulo culminou na gravação do álbum “Doces Bárbaros”, que traz uma linguagem musical única. Entre as faixas mais notáveis estão “Fé Cega, Faca Amolada”, composta por Ronaldo Bastos; “Chuck Berry Fields Forever”, escrita por Gilberto Gil, que homenageia o rock norte-americano e a diáspora negra; e “Pássaro Proibido”, uma colaboração rara entre Maria Bethânia e Caetano Veloso, que aborda a repressão do regime militar.
A faixa que abre o disco, “Os Mais Doces Bárbaros”, foi criada por Caetano como uma introdução ao grupo. Curiosamente, seu título original incluía a preposição “dos”, mas um erro de grafia da gravadora resultou na versão final sem ela. As músicas do lado B incluem clássicos como “Esotérico” e “O Seu Amor”, destacando as vozes marcantes de Gal Costa enquanto reinventam a temática do amor em tempos de censura e opressão.
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A capa do álbum é uma criação do fotógrafo Orlando Abrunhosa, que retratou os músicos dispostos em círculo. Essa disposição simboliza a horizontalidade e a continuidade do legado deixado pelo grupo na música brasileira. Ao completar 50 anos desde sua estreia, o álbum “Doces Bárbaros” permanece relevante, refletindo não apenas a musicalidade da época, mas também a resistência cultural dos artistas envolvidos.