Cacau despenca na Bolsa de Nova York: queda de 5,53% e estoques em alta preocupam investidores

Queda nos Preços do Cacau na Bolsa de Nova York
Na sexta-feira (08), os preços do cacau registraram uma queda significativa na bolsa de Nova York, influenciados pelo aumento dos estoques certificados e pela liquidação de posições compradas no mercado futuro. O contrato futuro do cacau com entrega em julho fechou com uma desvalorização de 5,53%, terminando o dia cotado a US$ 4.182 por tonelada.
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Essa tendência de baixa se intensificou após os estoques de cacau monitorados pela ICE alcançarem o maior volume em vinte meses, totalizando 2,668 milhões de sacas na quinta-feira (07).
Conforme informações do Barchart, o aumento na disponibilidade do produto no mercado elevou a percepção de uma oferta mais confortável no curto prazo, o que levou os investidores a realizarem lucros. Apesar da forte correção nesta sessão, os operadores permanecem atentos às condições climáticas na África Ocidental, a principal região produtora de cacau do mundo.
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Condições Climáticas e Preocupações com o El Niño
Relatos de chuvas irregulares em áreas da Costa do Marfim e de Gana continuam a ser monitorados pelo mercado, assim como o risco de retorno do fenômeno El Niño nos próximos meses. Na quinta-feira, os preços do cacau haviam avançado para os maiores níveis em três meses em Nova York, sustentados por essas preocupações.
O temor é que o El Niño cause condições mais quentes e secas na África Ocidental, impactando o desenvolvimento das lavouras.
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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma probabilidade de 61% de formação do El Niño entre maio e julho, com possibilidade de permanência até o final do ano. Além disso, há uma chance de 25% de ocorrência de um “Super El Niño”.
Desempenho de Outras Commodities
Suco de Laranja
Entre as commodities negociadas na Bolsa de Nova York, o suco de laranja destacou-se com uma das maiores altas do dia. O contrato com vencimento em julho subiu 5,77%, encerrando a sessão cotado a US$ 1.832,00 por tonelada.
Algodão
Os preços futuros do algodão também apresentaram alta na sessão desta sexta-feira. O contrato com vencimento em julho avançou 2,08%, fechando a US$ 84,73 por libra-peso. O mercado acompanhou os dados do relatório semanal de exportações do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que indicou compromissos de venda de algodão em 10,82 milhões de fardos, representando uma queda de 1% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o USDA, o total já comprometido corresponde a 96% da projeção oficial de exportações para toda a temporada, percentual que está abaixo da média histórica de 103% para este período do ano. Os embarques efetivos alcançaram 7,72 milhões de fardos, equivalendo a 69% da estimativa anual do departamento, praticamente em linha com a média histórica de 70%.
Café
Os contratos futuros de café arábica encerraram a sessão com uma leve alta de 0,57% na Bolsa de Nova York. O vencimento para julho foi precificado em US$ 2,748 por libra-peso. O Barchart destacou que essa alta foi sustentada pela redução dos estoques certificados, que recuaram para o menor nível em 2,5 meses, totalizando 483.292 sacas na quinta-feira.
Açúcar
Os preços do açúcar também encerraram a sessão na Bolsa de Nova York com leve alta. O contrato com vencimento em julho avançou 1,03%, sendo precificado a US$ 14,69 por libra-peso. Apesar da valorização no fechamento, o mercado operou sob forte influência de fatores divergentes ao longo da semana.
Na sexta-feira, o açúcar foi sustentado pela valorização do real brasileiro, que subiu 0,56% e se manteve próximo da máxima de dois anos e meio registrada na quarta-feira. A moeda mais forte tende a desestimular as exportações dos produtores brasileiros, reduzindo a oferta no mercado internacional.
Na sessão anterior, o açúcar havia recuado para mínimas de uma semana, devido à queda acumulada de mais de 8% nos preços da gasolina em três sessões, o que impactou diretamente o etanol e, consequentemente, o mercado do açúcar.
Segundo a Covrig Analytics, a redução no etanol já começa a alterar a estratégia das usinas brasileiras. Com a menor rentabilidade do combustível, há um aumento na direção da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, que atualmente apresenta uma vantagem de cerca de 0,7 a 1 centavo de dólar por quilo em relação ao etanol.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



