Crise no BRB: Privatização e Oportunismo no Distrito Federal
O Distrito Federal tem sido palco de intensos debates nos últimos meses, impulsionados por uma situação crítica envolvendo o Banco Regional do Brasília (BRB). Instituição com 61 anos de história, o banco resistiu a diversas crises econômicas, incluindo a ditadura militar, a hiperinflação e a crise dos subprimes, além de ter sobrevivido à pandemia.
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No entanto, a recente gestão, liderada por Paulo Henrique, tem sido marcada por tensões e questionamentos.
Investimentos e Rejeição
Apesar da proposta do governo de comprar parte do Banco Master pelo BRB por R$ 2 bilhões, a iniciativa foi rejeitada pelo Banco Central no mês seguinte. A direção do banco de Brasília já havia investido cerca de R$ 12 bilhões em ativos problemáticos do Master desde 2024.
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Paralelamente, o grupo Master/Reag vinha adquirindo 25% das ações do BRB, em parte através de empresas de fachada, conforme revelado pela operação recente. Essa situação resulta em uma necessidade urgente de aporte de quase R$ 9 bilhões por parte do governo do DF para manter o BRB operacional.
Privatização e Vulnerabilidade
A privatização de parte do BRB, através da venda de suas ações no mercado, expôs a instituição a interesses privados, comprometendo sua função social como ferramenta de desenvolvimento. Essa lógica se repete em outras áreas, como no caso do .
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O projeto, apresentado como uma forma de recapitalização, amplia o caos em outros serviços públicos e setores da sociedade, com o governo buscando, novamente, um “cheque em branco” para dispor de recursos públicos.
Terrenos Públicos e Especulação
O projeto contempla a utilização de nove terrenos públicos, considerados “queima de estoque”, incluindo o berço das águas, que abastece o DF com mais de 100 nascentes. Além disso, o projeto visa a venda do posto de medicina do trabalho, da oficina mecânica, e de outros equipamentos, gerando preocupação com a possível especulação imobiliária no Distrito Federal.
Observadores mais críticos identificam um claro oportunismo privatista no PL 2175/2026, considerando a forte influência do setor da construção civil na região.
Contexto e Implicações
O atual presidente da Caesb, nomeado pelo governador em agosto de 2023, tem tentado vender áreas da companhia, juntamente com a Terracap, a mesma empresa que se encontra no topo da lista do Projeto de Lei. Além disso, o presidente também buscou vender o Posto de Serviços de Taguatinga.
Esses fatos levam a crer que o PL 2175/2026 é mais um projeto de especulação imobiliária do que uma solução para o BRB, considerando a cobiça do setor da construção civil pelo uso desses terrenos.
Risco e Desespero
A privatização, em suas diversas formas – entrega total de serviços, institutos privados, terceirização de processos ou venda de ações – transforma serviços públicos em mercadorias, sujeitos aos interesses particulares. O Distrito Federal, que conta com uma rede de saneamento que atende 99% das áreas regularizadas com água potável e 93% com coleta de esgoto, está em risco devido ao oportunismo privatista.
O que começou como um fortalecimento do BRB se transformou em uma crise, com o desespero do governo para mostrar algum serviço antes da publicação do balanço do banco.
A situação exige responsabilização dos culpados, ressarcimento do patrimônio público e proteção dos serviços de saneamento e outras estruturas. No entanto, o atual governo não demonstra essa intenção, o que exige uma mobilização social ampla para evitar que os prejuízos recaiam sobre a sociedade.
*Paulo César Bessa Cesário é dirigente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do DF (Sindágua-DF).*
