Brasil Sai do Mapa da Fome: Um Marco na Segurança Alimentar
O Brasil alcançou um feito significativo ao deixar o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em julho de 2025, um marco que demonstra o avanço do país na garantia da segurança alimentar. A previsão inicial era que o país atingisse essa meta até o final de 2026, mas a ONU reconheceu a saída do Brasil antes do prazo, impulsionada por iniciativas estratégicas.
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Um dos pilares desse sucesso foi o fortalecimento da agricultura familiar, que desempenha um papel crucial na produção de alimentos para o país. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a agricultura familiar não apenas garante a maior parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, mas também contribui para a preservação da agrobiodiversidade, a proteção ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas.
Essa modalidade de produção, responsável por uma parcela significativa da produção de alimentos básicos como verduras, frutas, ovos e leite, é fundamental para a economia do país.
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Agricultura Familiar: Um Motor de Desenvolvimento
Dados do último Censo Agropecuário, realizado pelo IBGE em 2017, revelam que 77% dos estabelecimentos agrícolas no Brasil são de agricultura familiar, empregando mais de 10 milhões de pessoas e representando a renda de 40% da população economicamente ativa.
Políticas de apoio ao pequeno agricultor, como a oferta de garantia de crédito, assistência técnica, seguro agrícola e acesso a mercados, foram cruciais para impulsionar o país para fora do Mapa da Fome.
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Programas de Apoio à Produção
Programas como o Programa Nacional de fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) desempenham um papel fundamental na estruturação da produção e na conexão entre o campo e as políticas sociais.
Em Lençóis (BA), a implementação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a adesão ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) têm gerado impactos sociais e econômicos positivos, fortalecendo a agricultura familiar e a economia local.
O Significado de Sair do Mapa da Fome
O Mapa da Fome, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), identifica países onde mais de 2,5% da população sofre de subalimentação crônica. Sair deste mapa significa que o país conseguiu reduzir esse percentual, garantindo acesso regular a alimentos suficientes para a maior parte da população.
O Brasil já havia saído do Mapa da Fome em 2014, após um período de fortalecimento da rede de proteção social e de investimentos em segurança alimentar e nutricional, mas voltou a constar no mapa em 2021.
Dados Recentes e Redução da Insegurança Alimentar
Em 2024, dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) revelaram que cerca de 26,5 milhões de pessoas deixaram a condição de insegurança alimentar grave no país entre 2023 e 2024, com uma queda de 3,2% na proporção de domicílios em insegurança alimentar grave, representando dois milhões de pessoas.
Políticas Públicas e o Direito à Alimentação
Nutricionista Ana Carolina Alvez defende que a priorização do acesso à alimentação como direito humano, através de políticas públicas eficientes, é fundamental para garantir a segurança alimentar. A conquista de sair do Mapa da Fome demonstra que, com vontade política, participação social e coordenação entre esferas de governo, é possível reverter retrocessos e construir um país mais justo e com mais oportunidades para todos.
Este resultado é fruto de um projeto que visa melhorar a condição de vida das pessoas por meio de direitos básicos e da soberania alimentar.
