Brasil projeta captar até R 735 milhões com emissão de títulos em yuan, diz Dario Durigan

Brasil busca diversificar suas fontes de financiamento com a emissão de títulos em yuan, marcando um passo importante na relação econômica com a China

Dario Durigan, ministro da Fazenda

O Brasil está projetando captar até 5 bilhões de iuans, equivalente a aproximadamente 735 milhões de dólares, por meio da sua primeira emissão de títulos na moeda chinesa, conforme anunciado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, 25 de agosto.

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Essa iniciativa representa a maior estreia de dívida em yuan realizada por um país estrangeiro no mercado chinês.

Brasil se torna quinto emissor soberano no mercado chinês

Com essa nova emissão, o Brasil se tornará o quinto emissor soberano a acessar o mercado de dívida doméstica da China nos últimos 12 meses. O governo brasileiro vê essa ação como um “teste” para facilitar a entrada e a consolidação das empresas privadas brasileiras no mercado chinês.

Durante a reunião que ocorreu em Pequim com o presidente do Banco Central da China, Pan Gongsheng, Durigan ressaltou a importância dessa movimentação. “Precisamos testar e começar a traçar a trajetória da dívida soberana do Brasil na China”, afirmou o ministro.

A expectativa é que os títulos sejam emitidos dentro dos próximos dois ou três meses. Embora o valor exato ainda não tenha sido definido, Durigan confirmou que a meta é de até 5 bilhões de iuans, alinhando-se ao montante já captado pelo país na Europa, onde foram arrecadados 5 bilhões de euros.

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Títulos panda e internacionalização do yuan

Os títulos denominados em yuan, conhecidos como panda bonds, fazem parte dos esforços da China para promover a internacionalização da sua moeda. Atualmente, o yuan enfrenta desafios devido aos rígidos controles de capital e regulamentações existentes no país.

No entanto, esses títulos oferecem uma alternativa viável para mercados emergentes que buscam diversificar suas opções financeiras fora do sistema dominado pelo dólar americano.

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Dario Durigan também destacou que a demanda por esses títulos partiu das empresas brasileiras, que solicitaram ao governo a emissão para facilitar o acesso a recursos financeiros através das operações com os panda bonds. Além disso, essa estratégia visa reduzir os impactos da volatilidade cambial enfrentada pelas empresas no Brasil. “A rentabilidade dos projetos no Brasil é muito boa, mas a volatilidade das taxas do real pode afetar o resultado final.

Portanto, estamos proporcionando um recurso de hedge cambial para esses investimentos”, acrescentou Durigan.

Essa iniciativa não apenas representa uma oportunidade para as empresas brasileiras se financeiramente mais competitivas em um mercado globalizado, mas também sinaliza uma abertura estratégica do Brasil em relação ao comércio e às finanças internacionais com a China.

A medida poderá resultar em um fortalecimento das relações econômicas entre os dois países nos próximos anos.