UBS, Morgan Stanley e Goldman Sachs investem em projeto polêmico na Amazônia! 😱 Brazil Potash atrai controvérsias e denúncias de violação de direitos indígenas em Autazes, Amazonas. Saiba mais!
Instituições financeiras de grande alcance, como o suíço UBS (Union Bank of Switzerland) e os norte-americanos Morgan Stanley, Rockefeller Capital Management e Goldman Sachs, confirmaram possuir ou administrar ações da Brazil Potash, uma empresa canadense envolvida em um projeto de mineração contestado por indígenas e pelo Ministério Público Federal (MPF) na região de Autazes, no Amazonas.
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Esses dados foram levantados pela Repórter Brasil, que analisou informações apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês). Os registros mostram participações acionárias declaradas por bancos e gestoras de investimento, refletindo tanto investimentos próprios dessas instituições quanto recursos de clientes sob sua gestão.
A análise, realizada em fevereiro de 2026, revelou que pelo menos 28 instituições financeiras informaram à SEC a posse ou administração de ações da Brazil Potash.
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Em Autazes, a Brazil Potash planeja a construção de um complexo industrial, incluindo uma mina subterrânea para a extração do mineral, além de uma planta industrial, estrada de acesso, linhas de transmissão de energia e um porto no Rio Madeira.
A empresa estima uma produção inicial de até 2,4 milhões de toneladas por ano, o que poderia suprir 20% da demanda brasileira por potássio. Atualmente, o Brasil é o maior importador mundial de fertilizantes à base de potássio.
O projeto de mineração tem gerado preocupações entre os indígenas Mura, que habitam a região. O Ministério Público Federal (MPF) e diversas organizações indígenas argumentam que o empreendimento viola seus direitos territoriais e ambientais.
A consulta prévia, livre e informada, exigida por lei, tem sido alvo de críticas, com denúncias de exclusão de membros da comunidade do processo decisório e de pressões sobre moradores locais para vender suas terras à empresa.
Instituições financeiras como o UBS, Morgan Stanley e Goldman Sachs possuem políticas de direitos humanos que visam evitar investimentos em projetos que causem danos ambientais ou sociais, incluindo violações de direitos indígenas. No entanto, o caso da Brazil Potash levanta questões sobre a eficácia dessas políticas e a necessidade de uma maior transparência e responsabilidade por parte dos investidores.
A Brazil Potash Corp. é uma empresa canadense desde 2024. O Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, reportou posições em 13.624 ações da empresa canadense no período. Morgan Stanley, UBS e Rockefeller detinham sob sua gestão, respectivamente, 12.500, 9.941 e 6.500 ações.
Essas instituições financeiras, no entanto, não são as maiores acionistas da Brazil Potash. Segundo documento, os principais acionistas da companhia são duas gestoras de investimentos especializadas em mineração: a britânica CD Capital, com 11,1 milhões de ações da companhia (o equivalente a 27,7% das ações da Brazil Potash), e a Sentient, registrada nas Ilhas Cayman, com 7,3 milhões (18,3%).
O bilionário canadense Stan Bharti, fundador do banco mercantil Forbes & Manhattan e ex-diretor executivo e ex-diretor da Brazil Potash, detém de 4 milhões de ações (10%) da empresa canadense.
A Repórter Brasil ouviu o tuxaua (líder) Filipe Gabriel Mura, da aldeia Soares, que relatou que o projeto acirrou tensões internas e que famílias contrárias ao empreendimento relatam pressão e ameaças. Também foi relatada a ocorrência de perfurações e estudos em terrenos de moradores, seguidos de pressão para a venda de lotes à empresa.
Milena Mura, coordenadora da Omim (Organização das Mulheres Indígenas Mura), criticou a consulta realizada pela Potássio do Brasil, classificando-a como “pró-forma” e denunciando a exclusão de parte da comunidade do processo decisório. A comunidade denuncia que a consulta realizada pela Potássio do Brasil excluiu integrantes da comunidade, a mais próxima do empreendimento.
A Repórter Brasil continuará acompanhando o caso da Brazil Potash, buscando garantir que os direitos dos povos indígenas sejam respeitados e que o projeto seja desenvolvido de forma sustentável e responsável. A empresa, por sua vez, deve apresentar seus argumentos e esclarecimentos sobre as denúncias e críticas que têm sido feitas.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.