Brasil pode exportar até 120 mil toneladas de carne bovina após nova cota dos EUA

A nova cota de importação dos EUA pode impulsionar as exportações brasileiras de carne bovina, beneficiando a indústria local em um mercado com oferta restrita.

Carne moída

O Brasil tem a chance de exportar até 120 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, após a abertura de uma nova janela de importação pelo governo americano. O anúncio, feito na sexta – feira (21) pelo presidente Donald Trump, permite a entrada de até 300 mil toneladas desse tipo de carne no país durante um período de 90 dias, sem a incidência da tarifa fora da cota.

Segundo o estudo da Safras & Mercado, caso o Brasil consiga capturar entre 30% e 40% dessa nova cota, isso significaria embarques entre 90 mil e 120 mil toneladas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ressalta que o país enfrenta uma oferta doméstica restrita, com um rebanho bovino no menor nível dos últimos 75 anos.

Essa situação tem aumentado a dependência do mercado externo para suprir a demanda.

Aumento da oferta e preços em alta

O principal objetivo do anúncio é aumentar rapidamente a oferta de carne no mercado americano e reduzir os preços para os consumidores. Em abril de 2026, o preço médio da carne bovina fresca no varejo nos Estados Unidos alcançou US 9,64 por libra, equivalente a cerca de US 21,25 por quilo.

Esse valor representa uma alta aproximada de 13% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que essa abertura representa uma oportunidade significativa para o Brasil. A indústria americana costuma utilizar cortes e aparas magras importadas como matéria – prima na produção de hambúrgueres.

A estimativa considera um cenário em que a nova janela esteja disponível para vários fornecedores internacionais.

Leia também

Ainda não está claro como as 300 mil toneladas serão distribuídas entre os países fornecedores. O anúncio não especificou quais nações poderão fornecer o produto nem detalhou publicamente a participação de cada origem. Espera – se que esses critérios sejam esclarecidos em breve.

Expectativas da indústria brasileira

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) afirmou à CNN que ainda não recebeu informações oficiais sobre a implementação da medida anunciada pelos Estados Unidos. Até agora, não foram divulgados detalhes sobre volumes ou critérios de distribuição.

No entanto, a associação acredita que uma ampliação da cota tarifária pode favorecer o Brasil.

No momento atual, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores que geralmente é preenchida nas primeiras semanas do ano. Após essa fase inicial, as carnes brasileiras ainda podem entrar no mercado americano, mas sob tarifas mais altas.

A Abiec observa que se o Brasil for incluído na nova medida dos Estados Unidos, haverá melhorias nas condições de acesso da carne bovina brasileira. Contudo, é necessário aguardar regulamentações e detalhes oficiais do governo americano para avaliar melhor o impacto nas exportações brasileiras.

Movimentos estratégicos no mercado americano

A possível ampliação da cota ocorre em um cenário onde as indústrias brasileiras vêm intensificando suas estratégias para expandir presença no mercado americano. O CNN Agro tem monitorado esse movimento com atenção: diversos frigoríficos e empresas do setor estão investindo em novos produtos e ações comerciais para aumentar sua participação nos Estados Unidos.

Empresas como Frigol e VPJ Alimentos têm direcionado recursos nessa direção. Esse movimento indica que o mercado americano está se tornando cada vez mais relevante nas estratégias dos frigoríficos brasileiros, especialmente devido ao crescimento na demanda e às oportunidades oferecidas pela valorização do produto.